por: Fábio Calderaro

Você é um convicto investidor de longo prazo? Daqueles que consideram ter três coisas importantes na vida: Esposa, filhos e os lotes de Petrobrás? Teve que fazer curso de meditação oriental, para acompanhar a performance de sua carteira durante a crise? E agora está preocupado que o Ibovespa já está com mais 67.000 pontos e com valorização de cerca de 79% em 2009? Então você pode proteger sua carteira de possíveis correções ou, até mesmo, conseguir uma remuneração extra.

Uma operação muito atrativa e de baixa complexidade para investidores de longo prazo é conhecida como “lançamento coberto de opções”. Num primeiro momento, ao ouvir falar em opções, boa parte dos investidores entendem tratar-se de operações extremante arriscadas. Contudo, algumas combinações entre ações e opções permitem a qualquer investidor montar operações com limites de ganho e perda preestabelecidos. E, portanto, controlados.

A operação consiste em lançar opções de empresas líquidas — como as preferenciais da Vale (VALE5) e Petrobrás (PETR4) — com o preço de exercício acima do preço de mercado da ação. As opções lançadas devem ser na mesma quantidade das ações que você já tem em carteira, que serão colocadas, portanto, como garantia. Essas operações são também conhecidas com “OTM” (Out the Money ou Fora do Dinheiro)

Por exemplo:
No mês passado, um investidor executou uma análise cuidadosa do mercado em 22/09. Chegou à conclusão de que PETR4 provavelmente não chegaria a R$ 38,00 antes do dia do vencimento das opções da série J, em 19/10. Confiante em sua análise, executou a seguinte operação:

Devido à distribuição de juros sobre capital próprio em 01/10, no valor de R$ 0,17, o preço de exercício da opção PETRJ38 é de R$ 37,83. Sendo assim, lança (vende) mil opções PETRJ38 ao valor de R$ 220,00 (menos a corretagem). O valor será creditado na conta em D+1, diminuindo, portanto, o preço médio da ação em carteira.

Como o preço de PETR4 ficou abaixo dos R$ 37,83 no período, a opção não foi exercida e o lançador continuou com suas ações. Com isso, remunerou sua carteira em R$ 220,00 ou 0,6%, em 18 dias úteis. Fora a própria valorização do ativo no mesmo período, que chegou ao vencimento com mais de 6% de valorização em relação ao dia do lançamento.

Suponhamos agora que PETR4 valorizasse significativamente, chegando a R$ 39,00. Então, numa primeira hipótese, o lançador venderia suas ações a R$ 38,00, com uma valorização de 9,7% em relação do dia do lançamento. Apesar da excelente valorização, a desvantagem é que o rendimento acima dos R$ 38,00 teria sido perdido, limitando, portanto, a rentabilidade da carteira no período.

Numa segunda hipótese, o investidor não entregaria suas ações no vencimento. Para tanto, recompraria as mil opções, que teriam agora um valor próximo a R$ 1,17 (valor atual de PETR4 a R$ 39,00, menos o preço do exercício a R$ 37,83). Neste caso, estaria pagando ao mercado R$0,95 para fechar a operação com a PETRJ38. Isso equivale ao prêmio da atual compra a R$ 1,17, menos o da venda anterior a R$ 0,22.

Imediatamente, faria a venda coberta da opção do vencimento seguinte (série K), que, provavelmente, estaria com o prêmio próximo ao valor pago para fechar a operação do vencimento anterior. Para quem usa essa estratégia, provavelmente passará por algumas rolagens se a ação continuar subindo. É claro que poderá arcar com pequenas diferenças entre os vencimentos, mas talvez seja melhor que ter que se desfazer de toda a sua carteira de ações.

Por outro lado, caso houvesse uma desvalorização significativa do ativo, o investidor teria diminuído o break even (ponto em que os ganhos se igualam às perdas) da operação. Com o financiamento, a desvalorização da carteira só começaria com o preço de PETR4 abaixo dos R$ 34,41. Com isso, faz-se uma proteção, que equivale ao preço do ativo menos o prêmio da opção no dia do lançamento. Ou seja, um hedge (ou cobertura para o investimento) de 0,64%.

Como estamos falando em 18 dias úteis de operação, podemos dizer que a remuneração extra equivale à valorização do ativo, mais a Selic no período. Neste caso, como o investidor de longo prazo normalmente faz diversas compras do ativo ao longo do tempo, é possível diminuir o preço médio da carteira com o financiamento.

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