Pra quem não acreditou…

21
ago
2009
21/ago/2009
Categorias: Editorial
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por: Frederico Meinberg

No começo de janeiro, com ajuda do Yama (Sales de renda variável da Link Investimentos), escrevi o texto “feliz ano novo”. Em suma, o artigo recomendava fortemente a compra de ações em 2009. Para minha surpresa, em uma reunião de trabalho envolvendo alguns traders, em resposta ao texto publicado e em face à crise que nos assolava, fui recebido com um sonoro “feliz 2010, porque 2009 já era”! Quase fiquei deprimido com a saudação, nem tanto pelo ano ruim que ele imaginava que enfrentaríamos, mas mais pelo fato de encurtar o tempo para eu chegar aos 40 anos (e essa história de chegar já aos 40 sem nem mesmo um rojão ou brinde de champanhe me fez sentir não só velho, mas velhíssimo)!

Depressão à parte, logo entendi a situação. Este trader tinha no máximo 25 anos, e nunca tinha enfrentado nenhuma crise. Não entendia a dinâmica do mercado e muito menos entenderia a mensagem do meu texto. Certamente poderia me gabar de ser mais experiente e falar que era em cima dessa experiência que brotava meu feeling de que poderíamos ter um 2009 diferente do que muitos esperavam e que nem tudo estava perdido.

Há poucos dias encontrei esse mesmo amigo, novamente. Desta vez me recebeu com um “fala, véio!”, curto e atropelado, e logo seguiu com “Fred, você não acha que o mercado está muito esticado?” Respondi que era difícil saber, mas pensei comigo: “Fala, véio? Esse cara deve estar de gozação comigo”. Na volta para a Link Investimentos, já complexado, movi o retrovisor e mirei o entorno dos meus olhos. Haviam algumas rugas, mas nada que merecesse o título de “esticado”. Mais aliviado voltei a pensar no velho Ibovespa (criado em 1968), este sim mais velho que eu. Ele estaria esticado? Aqui vai meu raciocínio:

Em maio de 2008, o Ibovespa rompeu os 72.000 pontos, nossa taxa de juros estava por volta de 12% e o Brasil ocupava uma posição diferente de hoje no cenário mundial: era um dos últimos países do mundo civilizado a alcançar o investment grade. Com esse cenário, veio a crise que teve como estopim a quebra do Lehman Brothers. O mundo entrou em pânico, instituições vistas como seguras corriam risco de quebrar (algumas quebraram), a aversão ao risco explodiu, os ativos se desvalorizaram e ações se desvalorizaram ainda mais.

Uma ação coordenada dos bancos centrais mundiais foi feita e trataram de tirar o risco de quebra de algumas instituições importantes, mas a economia mundial ainda continuou patinando.

E o Brasil? A bolsa estaria “esticada”? Minha resposta é não! A bolsa não está esticada! Ela só está refletindo a nova posição do Brasil no cenário mundial (e lógico, refletindo alguma melhora, ou expectativa de melhora, na economia mundial).

Não quero entrar no mérito de falar se as empresas estão caras ou baratas e estou ciente de que existe a preocupação no mercado com relação a um possível otimismo exagerado sobre dados que saíram e que indicam um melhora nas perspectivas futuras do mercado mundial. Concordo com a cautela de muitos investidores com o Ibovespa nesses níveis atuais, mas minha discussão aqui é outra: “Brasil no mundo”.

Hoje o Brasil ocupa uma posição de destaque no mundo. Ao lado da China e da Índia foi um dos três países do mundo a não ter o seu sistema financeiro tão abalado pela crise. Seremos responsáveis para que o mundo consiga crescer a taxas positivas. Quanto a solvência, estamos com reservas acima de 200 bilhões de dólares e chegamos a ter o privilégio de entrar para a lista de países que podem emprestar dinheiro ao FMI. Somos credores! Nossa economia está sofrendo menos, pois conseguiu nesses últimos anos “fazer a lição de casa” e, hoje, temos um mercado consumidor interno muito mais evoluído. Continuamos vendendo produtos para China, país que como o Brasil, tem reagido bem à crise. Nossa governança corporativa e regulamentação no sistema financeiro são as melhores dos emergentes.

No cenário interno estamos com taxas de juros de 8,75% a.a. e projetamos taxas de juros estáveis até pelo menos meados do próximo ano. Os investidores brasileiros, viciados em altas taxas de juros, não conseguem sobreviver com meros 0,79% ao mês. Os fundos de previdência também terão que correr riscos para superar suas metas baseadas em índices de inflação mais 6% a.a.

O fluxo na compra continua e quando todos esperam em uma realização mais profunda, o Ibovespa reage. Investidores estrangeiros que foram os grandes vencedores na bolsa brasileira em 2003-2007 já perceberam o cenário positivo para o Brasil. Eles estão comprando Brasil, consistentemente.

Tabela - Compra Líquida

Notem que em nenhum momento creditei a alta da bolsa à recuperação da economia mundial e sim a um reajuste do Brasil no cenário internacional (fluxo) e à melhora do mercado interno.

Com esse raciocínio só me resta concluir que, apesar da alta do Ibovespa de 52%, a bolsa brasileira pode ainda ser um bom investimento e que, assim que a economia mundial realmente começar a se recuperar, veremos o Ibovespa, em algum momento, ultrapassar os cabalísticos 72.000 pontos e rumo aos 100.000 pontos.

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3 comentários para o artigo "Pra quem não acreditou…"

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21
ago
2009
21/ago/2009

Márcio Tufani

Parabéns pelo artigo Fred! Apesar de eu ser iniciante, ter tomado uma “paulada” ano passado e não dominar o tema mercado, achei muito coerentes seus comentário!!! Mais uma vez, meus parabéns!!!

21
ago
2009
21/ago/2009

mwweneck

Parabéns Frederico

Também penso da mesma forma. Tenho 67 anos, invisto desde 1971,já perdi algumas vezes e já ganhei também. As vezes em que perdi,foi por não acompanhar de perto o mercado e/ou não te usado stops. Hoje estou mas cauteloso e também posso ter mais tempo fazeno análises. Sou Gestor de um Clube de Investimento e já dei algumas palestras de Como formar um Patrimonio. Me considero arrojado com mais de 35% em ações com a minha idade.
Faço muita análise gráfica. Uso venda de opção coberta e c/v de ações a longo prazo e algumas swing trades com uso de vários indicadores gráficos.
Acredito hoje que o Brasil a longo prazo ainda sobe muito.Em dois anos pode estar acima de 120000 pontos.

Um abraço

mwerneck

21
ago
2009
21/ago/2009

Marcello Garbes

Fred,
Na época em que vc postou a recomendação, ñ acreditei em uma alta tão consistente como estamos vendo, eu só gostaria de colaborar com esse seu novo comentário e mostrar aos céticos de plantão que teremos momentos difíceis, mas o mercado acionário nacional está saindo muito bem desta crise, e o principal é que soube aproveitar esta oportunidade para melhorar sua imagem perante aos outros.

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