por: Rico.Com.Vc

Sendo expulso da economia formal

Continuando e encurtando um pouco a prosa e com alguns atalhos, eis que chegamos ao ponto que realmente forjou minha história atual de fulltime trader. Lá pelos idos de 2006, 2007, quando dividia com meu ex-sócio o comando de mais uma empresa que havíamos montado, resolvi que dedicaria meu tempo para administrar mais de perto meus próprios investimentos. Comecei a observar as movimentações e estratégias do gestor do clube onde eu investia. Por exemplo: às vezes eu gostaria que o clube estivesse mais exposto, mas ele estava muito protegido com travas. Outras vezes, justamente o contrário. Enfim, o clube estava sendo sim muito bem administrado mas, creio eu, no tempo ocioso habitam as mais férteis e irracionais idéias. E eis que decidi pegar parte do meu patrimônio e administrá-lo por conta própria.

Exatamente na mesma época, resolvi levantar dinheiro rapidamente para iniciar minha formação profissional no Método DeROSE, filosofia de vida e life-style coaching. Eu já praticava há bom tempo e então queria adotar definitivamente para mim essa cultura. Sabia que, apenas passando para o lado profissional, dos instrutores, poderia aprendê-lo com a profundidade que buscava. Mas, a minha empresa “da vez”, apesar de estar pagando as contas direitinho e até permitindo a mim e sócio algumas singelas regalias, como viagens ao exterior para congressos e similares, não estava assim tão rentável para eu poder retirar mais uma grana mensalmente.

Estudei, então, por alguns dias, quais seriam minhas habilidades a serem melhor exploradas. Decidi que deveria pagar em uma só parcela e com dinheiro novo essa minha formação. Rapidamente, conclui que só a Bolsa poderia me dar esse presente, assim tão rápido e dentro do que eu conhecia (conhecia mesmo?). E ela me deu mesmo: tomei uns tantos lotes em um belo canal de alta e, dez dias depois, estava paga a minha formação profissional. Com folga para uns bons gastos extras. Minha vida, certamente, nunca mais seria a mesma.

Daí pra frente, e com a nossa Bolsa em ascensão, não tinha como perder dinheiro mesmo, por mais que você se esforçasse. E eu me esforçava. Mas, naquela época, você estava destinado a ganhar dinheiro. Era escolher o papel que subiu menos entre os principais, comprar e esperar dar perto de 1% no dia, botar o dinheiro no bolso e festejar. Simples assim. Se tivesse tempo, podia repetir a proeza.

Bem, não tardou para essa minha nova atividade estar rendendo diversas vezes mais do que a empresa. E não há sócio nesse mundo que aguente o outro com o HomeBroker ligado o dia inteiro e ganhando dinheiro. Nem o meu sócio, que era e é um grande amigo até hoje. Por isso digo: não cansei e decidi largar o mercado formal. Fui, outrossim, expulso dele, que já não me suportava mais. E assim, de maneira pouco romântica e extremamente prática, começou minha vida de trader em tempo integral.

Tenho mais uma dezena de boas histórias para contar a partir daí, mas acho melhor deixar para um próximo post.

Carlos Episcopo, o Iceman, 40, é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica, instrutor do Método DeROSE com muito orgulho, surfista viajante (mais esforçado do que talentoso). É provável encontrá-lo em seu skate longboard no calçadão de Santos. Ou correndo pelo Parque da Aclimação. Mergulhador, vegetariano, amante de cinema, música, viagens e sempre, mas sempre, disposto a um longo bate-papo. Vive exclusivamente de rendimentos da Bolsa de Valores desde meados de 2007. Quase quebrou antes da crise de 2008. Mas não quebrou. Ao seu melhor e preferido estilo. No Pain, No Gain.

por: Rico.Com.Vc

Onde começa?

Teimei um pouco em aceitar o convite da Mônica Saccarelli em escrever para esta coluna.

Em parte porque, como todo e bom taurino, confesso ser realmente cabeça dura e acomodado. Mas, por outro lado, e fundamentalmente, porque tenho sérias dificuldades em dizer quando e como a Bolsa passou a fazer parte da minha vida.

Mas, já que tomei coragem e fôlego para a empreitada, espero que minha história seja útil em algum ponto para você tomar a própria decisão, pílula vermelha, e saiba que, como no filme, não há volta à Matrix, uma vez deflagrada essa viagem insana. Não acredita? Então procure um ex-trader pelo mundo afora, você vai entender exatamente o que estou falando.

Vivendo da Bolsa

Para mim, viver da bolsa não é profissão. Não é meio de vida. Não é conhecimento nem tampouco habilidade. É filosofia de vida. É a resposta mais inquietante para os buscadores incessantes de liberdade. Aos que se negam em aceitar, acatar, sucumbir ao modelo escravista-salarial que sucedeu ao escravagismo-racial. E sucedeu com notável ganho de eficiência. Ou você realmente crê que a abolição foi conquistada? Ela foi imposta, tal qual as novas matrizes que sucederam a original, por se mostrarem muito mais eficazes e lucrativas que as anteriores. Mas vamos pegar mais leve na filosofia e, por hora, focar na narrativa. Voltando à minha história…

Desde sempre administrei de perto minhas finanças. Fui criado com dedicação e abnegação por meus pais, aprendi pelo esforço deles a valorizar cada centavo, desde moleque. E a ser totalmente responsável por minha vida financeira. Antes dos dezoito anos, já tinha uma maturidade e independência financeira que não encontro em muitos dos meus amigos de 40. Não tenho dúvidas que isso moldou meu caráter empreendedor, desde que me conheço por gente. E quero deixar bem claro: eu era, como todo estudante, muito duro de grana…

O primeiro curso de que me lembro foi um de empreendedorismo. Paguei a minha e ainda arrastei meu pai para fazer comigo, já que eu não tinha idade para me inscrever sozinho. Chamava algo como “Saiba como montar seu próprio negócio”. Depois de poucas semanas e para desespero da família, estava montando minha primeira empresa com CNPJ e tudo, chamava-se Litosfera e promovia eventos em ‘danceterias’ (nome para balada àquela época). Arrumei um sócio maluco, o primeiro que apareceu, amigo meu do prédio em que morava e justamente o oposto do cara confiável.

Bom, a empresa era divertidíssima e nada profissional, mas foi uma excelente experiência para aprender que você, querendo, pode fazer qualquer coisa, eu digo, qualquer coisa que você realmente colocar na cabeça! Não que a empresa tenha dado efetivamente ‘certo’, mas a experiência foi impagável. Depois de vários anos, me custou uma grana razoável para conseguir encerrá-la de maneira correta e fechar esse passivo, mas valeu, e muito, a pena.

E daí para hoje, foi uma sucessão de empresas e empreitadas. Vivi, como poucos, a bolha tecnológica de 2000. Fui CEO de empresa offshore, tecnologia hightech, base tecnológica para revolução web, com sócio investidor gringo e preparada para IPO em Nasdaq, só para você ter uma idéia dos extremos a que essa empreitada maluca já me levou. Quem viveu essa época inserido no contexto www, lembrará da insanidade dos NDA’s: você tinha que assinar um desses (Non Disclosure Agreement, ou acordo de confidencialidade) a cada 60 minutos ou menos. O bate-papo começava no cyber-coffee de nosso belíssimo e minúsculo escritório on-demand e, em minutos, aparecia alguma secretária com o bendito ‘acordo’ em cinco vias, sempre dois idiomas, um em cada coluna, a ser assinado para poder continuar a conversa. Tudo eram idéias. Tudo fervilhava. B2B, B2C, C2C etc. Você estava milionário ou fora do mercado em questão de horas. O alicerce da internet atual estava sendo levantado. E derrubado. E levantado de novo. Era pra matar qualquer um do coração.

Conheci alguns dos maiores empresários do cenário tecnológico naquele café. Era aconselhável falar o maior número de idiomas possível, pois nunca se sabia qual você mais utilizaria no elevador. Foi uma época simplesmente fantástica para estar na área de desenvolvimento de negócios. E eu tive o privilégio de estar no epicentro. Mudei de um apartamento de 40m² na Aclimação para dividir com um de meus sócios (e amigo até hoje) uma cobertura triplex de 500m² no Morumbi. Tinha piscina, lareira, suítes para hóspedes, até a bateria dele montamos dentro do apê (e nem incomodava os vizinhos). Isso aconteceu em questão de semanas. Mais alguns meses, lá estava eu de volta à Aclimação. Sorte que não me desfiz dele, já que vivo nele até hoje, passada a euforia maluca dos primeiros anos deste milênio.

Tentando novamente voltar ao fio da meada: durante toda essa trajetória, nunca fiquei definitivamente distante da Bolsa, claro. Os primeiros trocados que acumulei foram parar em um fundo de ações vinculado à minha conta corrente. Não faço a menor idéia de como consegui abrir aquela conta, já que eu tinha uns quinze anos. Só lembro que era vinculada ao CPF do meu pai, eterno companheiro, patrocinador e sofredor ao meu lado. Enfim, tudo que eu ganhava, acabava colocando lá e nem me importava se caia, subia, mofava. Eu apenas não suportava pensar em rendimento ao lerdo ritmo da renda fixa. De lá, até um pouco antes de me jogar 100% na Bolsa, devo ter aplicado em uma dezena de fundos, clubes, passando até pelo amalucado Jaguar, um que chegou a render 20% num mês e quebrar após alguns outros meses (dessa eu escapei por poucos dias).

Continua…

Carlos Episcopo, o Iceman, 40, é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica, instrutor do Método DeROSE com muito orgulho, surfista viajante (mais esforçado do que talentoso). É provável encontrá-lo em seu skate longboard no calçadão de Santos. Ou correndo pelo Parque da Aclimação. Mergulhador, vegetariano, amante de cinema, música, viagens e sempre, mas sempre, disposto a um longo bate-papo. Vive exclusivamente de rendimentos da Bolsa de Valores desde meados de 2007. Quase quebrou antes da crise de 2008. Mas não quebrou. Ao seu melhor e preferido estilo. No Pain, No Gain.

por: Rico.Com.Vc

Para esta semana podemos esperar uma agenda de indicadores econômicos bastante agitada, destaque para os indicadores ligados a atividade econômica e ao setor  imobiliário na agenda americana e , no ambiente domésticos, pelos  indicadores de preços e os números do mercado de trabalho. Dentre os eventos da semana, é importante seguir monitorando as notícias sobre a reunião do COPOM, que deverá optar pela manutenção da taxa Selic nesta reunião, e as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno das eleições presidenciais.

Nos EUA, o mercado estará de olho nos balanços corporativos nos EUA(destaque para: Citi group, Bank of America, Goldman Sachs, NY mellon, Wells Fargo, Apple, Yahoo, Coca-Cola dentre outros). Além disso, os dados de maior destaque são: a queda de 2,6% para construção de casas novas em setembro na comparação com agosto, e os indicadores antecedentes e a produção industrial que permanecem o mesmo número que o do mês de agosto, (0,3% e 0,2% respectivamente).

No Brasil, destaques para o IPCA-15 que ficará em 0,55%, impulsionado pela alta dos alimentos, especialmente o preço do feijão e produtos relacionados as commodities agrícolas, especialmente o açúcar. Para o IGP-10, projetamos alta de 1,04%, influenciado diretamente pela alta de 5,3% no IPA agro, que deve ser pressionado pelo preço de feijão e de aves. Por outro lado, é esperado alguma desaceleração nos preços das commodities agrícolas. Adicionalmente, o IPA industrial seguirá contido, influenciado pela apreciação do real. Para o mercado de trabalho brasileiro as condições continuam favoráveis, é esperado que a taxa de desemprego em setembro fique em 6,6%.

Na Zona do Euro, o destaque da semana serão as prévias dos PMIs, a pesquisa Zew de sentimento econômico e a confiança do consumidor.

Continue acompanhando as análises e dicas da área Link Economic Research aqui no blog, e não perca a próxima coluna O que vem por aí? na semana que vem.

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