Texto de Alessandro Martins.
Um dos erros mais básicos daqueles que se encantam com a Bolsa de Valores é achar que podem dar uma turbinada nas economias que estão guardando para pagar a educação dos filhos ou para quitar a casa própria ou o carro. É um erro terrível.
Por estarem ligadas a questões que pedem alguma segurança e estabilidade, essas economias estão emocionalmente comprometidas. Tudo que envolve emoção pode acarretar tomadas de decisão equivocadas.
Para investir na Bolsa, o melhor é usar dinheiro de que você não precisa. Um conceito um tanto estranho pois, supostamente, precisamos de todo o dinheiro possível. Encare desta forma: A partir do momento em que o dinheiro for para um investimento na Bolsa, veja-o como se não fosse seu, com distanciamento, ainda que a sua metodologia seja prudente e conservadora. Bolsa de Valores não é chamada também de renda variável à toa. E é até bondade. Eventualmente, trata-se de “prejuízo variável”.
O dinheiro que você está guardando para comprar a casa, para a faculdade dos filhos ou para quitar alguma dívida não deve ser investido na Bolsa de Valores.
O mercado de ações é extremamente emocional e funciona de maneira emocional. Quanto mais racional você puder ser, maior vantagem você terá. E, se você está ligado emocionalmente de alguma forma ao dinheiro investido, isso é mais difícil.
Imagine a situação hipotética. Em 2008, você tinha R$ 30 mil investidos em ações. Em meados daquele ano aconteceu uma tragédia econômica com impacto global e as bolsas do mundo se desestabilizaram. Muito possivelmente você viu seus R$ 30 mil se transformarem em R$ 10 mil, talvez menos.
Se esse dinheiro era para ser usado no financiamento de sua casa dali a um ano, você pode ter se assustado e vendido todas as suas ações antes que as coisas piorassem, amargando um prejuízo. Mas, se o dinheiro não fosse ter um uso desses, você conseguiu ser racional e esperou. O dinheiro da moradia, dos filhos, do carro estava guardado, possivelmente em alguma forma de renda fixa.
Meses depois, as bolsas dão mostras de ânimo e estão voltando aos patamares anteriores. Possivelmente os ultrapassem com folga daqui a algum tempo. Quem manteve a calma se recuperou. Agora seus R$ 10 mil talvez se transformem em R$ 50 mil.
Então, antes de colocar o dinheiro na Bolsa de Valores, faça a pergunta: Eu preciso muito desse dinheiro?
Precisar de dinheiro todo o mundo precisa. Mas quanto precisamos dele, não é mesmo?
Alessandro Martins é o editor do blog Iniciante na Bolsa, criado para ajudar pessoas a descobrirem o mercado de ações. Jornalista por formação, atualmente trabalha exclusivamente com blogs e mídias sociais.
Texto de Conrado Navarro.
Diante de tantas empresas e alternativas de investimento, surgem as desafiantes questões: Em que ativos investir? Que aplicações considerar? Não há resposta pronta, nem consenso. Tudo depende. Perfil, idade, disponibilidade, conhecimento técnico, objetivos pessoais etc. São muitas as variáveis e suas relações não são nada simples.
“Nunca coloque todos os ovos em uma mesma cesta”.
A frase é lugar-comum em diversos livros e artigos sobre investimentos, especialmente quando o foco é o mercado de ações. Diversificação, afinal, é mesmo um passo importante e necessário para o sucesso na negociação de ativos e títulos? Como responder à pergunta, sem antes discutir o que deve ser considerado sucesso nos investimentos?
Sucesso, uma palavra com muitas interpretações. Conto com sua colaboração para tentar apontar os acontecimentos capazes de caracterizar este ou aquele ativo (ou investimento) como uma aplicação de sucesso. Para facilitar, listo algumas sugestões. O investimento de sucesso é aquele que garante:
- Rentabilidades mensais de 5%;
- Rentabilidades anuais de 20% ou mais;
- Rentabilidades anuais líquidas maiores que o CDI ou benchmark escolhido;
- Ganhos suficientes para, em 5 anos, comprar um imóvel;
- Ganhos sucessivos maiores que os índices de inflação, a título de aposentadoria;
- Todas as anteriores;
- Nenhuma das anteriores;
- A lista poderia ser muito maior.
Você certamente chegou à mesma conclusão que eu: Sucesso nos investimentos também é uma questão pessoal. Deixando de lado regras simples e que devem obrigatoriamente ser observadas (ganhos acima da inflação, por exemplo), o melhor investimento para você pode não ser o melhor investimento para mim. E geralmente não é.
A constatação é importante para voltarmos à questão da diversificação. Se o sucesso é subjetivo e questionável, parece razoável dizer que diversificar também pode ser. Os muito ricos, quase sempre investidores profissionais ou empresários, afirmam que diversificar é atitude de fracassados — que não sabem o que estão fazendo (negociando).
Warren Buffett e George Soros, para ficar em dois nomes que você certamente conhece, são expoentes clássicos da máxima que prega o investimento concentrado, acompanhado de muito dinheiro e conhecimento sobre o negócio. Investigar a empresa, o setor, seu potencial, concorrentes e sua contabilidade pode fazer surgir uma “pechincha” e aí é hora de investir pesado. É o que eles dizem.
De fato, concentrar o dinheiro em uma atividade que você domina pode trazer retornos muito interessantes. E, no fundo, é isso que faz o profissional que investe em sua carreira. Mas, como repetir as estratégias de grandes investidores quando:
- Não se trabalha na área e o foco da carreira e do dia-a-dia é investir tempo e esforço na profissão e família?
- Não se tem interesse profundo pela área, ainda que se dê a merecida importância ao tema “investimentos”?
- Não se tem tempo/disponibilidade para ficar diante de movimentos, notícias e detalhes do mercado?
- Não se tem dinheiro suficiente para escolher e investir em um ativo sem que o capital faça falta no curto e médio prazos?
Para estes casos, presentes em maior quantidade na nossa sociedade, a diversificação pode ser a melhor alternativa. Ora, o profissional de investimento ou finanças estuda muito antes de concentrar seu capital. Vive para isso e por conta disso. O risco é calculado mas, acima de tudo, controlado. O profissional perde muito dinheiro, mas pode fazê-lo sem grandes prejuízos no todo.
O profissional de outras áreas, o cidadão comum que quer investir, dedica-se com a mesma energia à sua profissão, discutindo seus investimentos com gerentes e consultores. Concentrar seu dinheiro em um produto ou aplicação que ele não conhece em detalhes seria loucura. Estas pessoas não querem os maiores retornos do mundo; querem rentabilizar seu patrimônio de forma sustentável, inteligente e de forma a diluir o risco.
O plano para as realizações futuras deve ser amplamente discutido e os investimentos escolhidos em função dos interesses do investidor. Para muitos, manter grande parte do patrimônio em produtos conservadores (seguros) e destinar menor porção ao investimento em ações (diretamente ou não) significa poder dormir tranquilo e saber que, com aportes mensais e alguma disciplina, seus objetivos serão alcançados. E isso basta. É a busca pela independência financeira com qualidade de vida, não apenas da riqueza absoluta.
Repare que o texto defende tanto o investimento concentrado quanto a diversificação. E isso se dá porque não existe o tal melhor investimento. Existe o melhor investimento para você, para o momento que está vivendo, para os objetivos que possui. Então, muito cuidado com os livros que pregam estratégias de investimento vencedoras para indivíduos de perfil diferente do seu. Diversificando ou não, invista sempre com consciência. Bons negócios.
Conrado Navarro é educador financeiro, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” e “Dinheirama” e sócio-fundador do blog Dinheirama. Atua como professor, consultor e palestrante.
Texto de Fernando Biondi
Numa frase celebre, o maestro Austríaco Herbert Von Karajan (1908-1989) desferiu: “Quem decide, pode errar. Quem não decide, já errou”. Seja na vida pessoal, social ou profissional, há momentos em que faz-se necessário se posicionar com clareza sobre situações que podem interferir no presente ou futuro.
Em certas circunstâncias, a falta de decisão cria o vacilo, incertezas, inseguranças e prejuízos. Sendo assim, muitas vezes a vida exige escolhas objetivas, independente se as mesmas revelem-se certas ou erradas. Evidente que, para cada opção errônea, deve-se refletir buscando aprendizado, uma vez que ocorrências similares poderão se repetir.
Decidir é sentenciar a partir de uma opinião ou um fato. Todos os homens necessitam resolver-se a respeito das suas aflições e futuro. As simples ou mais complexas dúvidas cobram de cada ser uma reação de definição, que em alguns momentos perturbam a mente, geralmente pelo medo do erro incutido em cada desfecho final a conferir. A angústia igualmente colabora como complicador das conclusões definitivas. Perfaz, portanto, um conflito psicológico gerando inquietações na mente daquele que está por sentenciar sobre algo importante.
Mas a decisão, acima do erro ou do acerto, é um ato de definição necessária e, quando não se assume posição, costuma haver complicações mais à frente. A falta de firmeza não contribui quando é necessário atingir certos objetivos.
Aqueles que operam mercado acionário têm no poder da decisão um fator crucial para alcançar sucesso na Bolsa de Valores. Operar mercado é profissão, ou pelo menos deveria ser, principalmente para os que investem visando o curto e médio prazo, períodos mais sujeitos às turbulências e crises. Se o ato de aplicar dinheiro visando lucro futuro não for precedido por intrepidez, certamente os riscos serão maiores. E isso é válido tanto para apurar lucros quanto para minimizar perdas.
Evidentemente, outros fatores intrínsecos ao tema “investimentos” devem ser observados. Antes de decidir pela compra ou venda de um ativo, é de se supor que foram realizadas avaliações anteriores, levando assim a estabelecer o ponto de entrada ou saída. Do contrário, será difícil decidir-se por um posicionamento se nem mesmo se sabe por que entrou ou está propenso a sair. Mas esse é um outro tema e envolve planejamento e estratégia, fatores que contribuem para decisões mais equilibradas.
Geralmente as pessoas não se sentem confortáveis em admitir erros ou fracassos. Como nenhum investidor entra em uma operação na expectativa de perda, é comum que aceite as quedas sem estabelecer o stop, uma vez que tinham como “certo” o sucesso na investida. Se não admitir a possibilidade do mau empreendimento, ceifando possíveis perdas maiores, poderá ver as baixas se ampliarem, tornando um pequeno prejuízo em um dano excessivamente maior.
No mercado de ações, quem não sabe se decidir é considerado um indisciplinado. E os traders e investidores profissionais adoram aqueles que não reconhecem o valor da disciplina rigorosa, no que tange os momentos de se ausentarem, realizando quando os riscos ampliam as chances dos movimentos irem à direção contrária de seus interesses.
Não se deve ter medo de perder percentual aceitável, mas sim de não se posicionar diante de uma operação que poderá trazer prejuízos e aborrecimentos, tantas vezes maiores do que naquele momento em que não foi capaz de se decidir com destreza.
Fernando Biondi é empresário, e escreve no blog Papo de Bolsa.


IBOV*
SP500*
FTSE*
DAX*
Fut. IBOV*
FNAM11*










