por: Marcello Garbes

Meu nome é Marcello Garbes, moro na Praia Grande, mas sou nascido na Baixada. Estou com 38 anos, mas comecei aos 15. Com essa idade, claro, você não tem uma ideia formada sobre o futuro. Mas eu já gostava de matemática e meu interesse por bancos e mercado financeiro foi natural, apesar da minha educação não ter nada a ver com isso! Meu pai trabalhava nas docas de Santos. Meu tio trabalhava em cartório, meu outro tio trabalhava numa fábrica de papel e papelão. Não tinha nada de educação financeira. Porém, por ironia do destino, um dia um banco foi até minha escola oferecer uma oportunidade de concurso, para um estágio remunerado. Estudei, prestei e fui aprovado!

Fui treinado no Banco Real durante um ano, estudando todas as áreas de uma instituição financeira: contabilidade, cobrança e empréstimo, sem ainda a parte informatizada, o que me deu um conhecimento mais profundo dos processos. Com 15 anos, eu ganhava a mesma coisa do que um bancário ou um escrevente. Era um bom salário! Tanto que, até hoje, a grande maioria da diretoria do Banco Real veio desse programa de praticantes, que era feito há muito tempo.

Naturalmente, acabei começando a investir. Por trabalhar em banco, sempre gostei disso e comprava apenas ações de bancos. É uma tendência do investidor, comprar apenas ações de um segmento que tenha a ver com ele. Alguns gostam de siderurgia, outros de elétrica. Eu sou daquela turma dos financistas, que preferem bancos. Talvez seja coisa de gente das antigas, como eu, mas isso durou pouco tempo. Fui efetivado na unidade com 16 anos e, com 19, passei a trabalhar em backoffice. A partir daí, fui levado para a mesa de operações, quando parei de investir por força da minha função.

Quando fui para o Banco Fibra também fui levado para trabalhar na mesa. Devido ao conhecimento que já tinha, acabei indo pra área de controladoria, ou seja, uma auditoria interna. Tinha 22 anos. Eu já vinha sendo direcionado a fazer Direito por influência dos meus tios e, nessa época, eu estava fazendo o curso. Era muito chato! Tinha que ler muito e eu gostava era de números. Acabei largando. Fiz Administração quatro vezes, mas nunca consegui terminar. Eu já era praticamente um administrador! Meu conhecimento do dia a dia, trabalhando no mercado, era muito mais do que uma faculdade poderia me dar. E agora curso Engenharia, justamente para aprender algo totalmente diferente do que eu já faço.

Em 1998, com a expectativa das novas tecnologias, a Bolsa incentivou as corretoras a criarem suas próprias plataformas de home broker. Sinceramente? Era muito ruim! Surgiram plataformas de todos os tipos e de todos os lugares. Na época, decidimos fazer uma associação que contava com 15 corretoras, para criar um home broker padrão, unificado. Com um número tão grande, infelizmente, deu briga. Porém, o sistema multi-broker, que eu ajudei a desenvolver, acabou sendo comprado pela BM&F e, hoje, é o sistema padrão do agrícola da Bovespa. Daquelas 15 corretoras, as únicas que acabaram vingando foram as que são, hoje, as três maiores. Justamente porque optaram por se manter independentes, o que criou uma tendência mais tarde. Hoje elas estão um pequeno passo à frente, só por terem começado mais cedo.

Fui para o Banco Cruzeiro do Sul. Toda essa parte de regras e parâmetros da corretora no banco, participei do desenvolvimento, juntamente com o site e o home broker. Aos 27 anos tornei-me gerente da mesa. Estava envolvido em todas as áreas. Tenho, portanto, uma grande experiência em bancos, sempre na área de corretagem e home broker. Depois de 8 anos no Cruzeiro do Sul, recebi uma ótima proposta da Link Investimentos e hoje trabalho como subgerente de renda variável.

O grande diferencial da Link Investimentos é que, ao contrário da maioria das corretoras não ligadas a bancos, nós não trabalhamos com autônomos e sim com a meritocracia. Por isso, a Link tem uma grande estrutura, muito similar às corretoras que têm o apoio de bancos. E essa vantagem tende a passar dos clientes institucionais para os clientes pessoa física. É um ganho muito grande para o investidor pessoa física.

Eu, por ser da área institucional, não invisto. O fluxo de ordens que se tem na mão é muito grande, não tem como acompanhar uma carteira própria em paralelo. Além disso, prefiro manter um distanciamento para ter uma forma imparcial ao assessorar um cliente. Por mais que a gente não queira, seria inevitável administrar de forma emocional uma ordem de cliente. Por isso, hoje só tenho fundos de ações, em nome do meu filho, por meio do programa Link Kids. Esse programa é uma espécie de poupança, composta por um fundo de ações long only, ou seja, de longo longo prazo. Os analistas e o gestor da Link fizeram uma análise e determinaram ativos que, além de pagarem bons dividendos, têm perspectivas de atingir um bom patamar com o crescimento do Brasil. É interessante para o aprendizado das crianças, porque com 10 ou 11 anos elas já questionam e se interessam. Isso acabou influenciando cinco amiguinhos da classe do meu filho, também na faixa dos 10-11 anos, a aderirem ao mesmo programa.

Como não tenho envolvimento com pessoa física, não faço recomendações. Porém, a verdade é que não existe “dica”. Como disse o célebre economista norte-americano, Milton Friedman: “There’s no such thing as a free lunch”. Não existe almoço grátis, tudo exige um esforço em pagamento. No caso do mercado financeiro, requer estudo, independentemente do que você faça. Se for mais grafista ou mais fundamentalista, você tem que entrar e estudar. Esse é o único caminho para o sucesso.

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