Texto de Fernando Biondi
Numa frase celebre, o maestro Austríaco Herbert Von Karajan (1908-1989) desferiu: “Quem decide, pode errar. Quem não decide, já errou”. Seja na vida pessoal, social ou profissional, há momentos em que faz-se necessário se posicionar com clareza sobre situações que podem interferir no presente ou futuro.
Em certas circunstâncias, a falta de decisão cria o vacilo, incertezas, inseguranças e prejuízos. Sendo assim, muitas vezes a vida exige escolhas objetivas, independente se as mesmas revelem-se certas ou erradas. Evidente que, para cada opção errônea, deve-se refletir buscando aprendizado, uma vez que ocorrências similares poderão se repetir.
Decidir é sentenciar a partir de uma opinião ou um fato. Todos os homens necessitam resolver-se a respeito das suas aflições e futuro. As simples ou mais complexas dúvidas cobram de cada ser uma reação de definição, que em alguns momentos perturbam a mente, geralmente pelo medo do erro incutido em cada desfecho final a conferir. A angústia igualmente colabora como complicador das conclusões definitivas. Perfaz, portanto, um conflito psicológico gerando inquietações na mente daquele que está por sentenciar sobre algo importante.
Mas a decisão, acima do erro ou do acerto, é um ato de definição necessária e, quando não se assume posição, costuma haver complicações mais à frente. A falta de firmeza não contribui quando é necessário atingir certos objetivos.
Aqueles que operam mercado acionário têm no poder da decisão um fator crucial para alcançar sucesso na Bolsa de Valores. Operar mercado é profissão, ou pelo menos deveria ser, principalmente para os que investem visando o curto e médio prazo, períodos mais sujeitos às turbulências e crises. Se o ato de aplicar dinheiro visando lucro futuro não for precedido por intrepidez, certamente os riscos serão maiores. E isso é válido tanto para apurar lucros quanto para minimizar perdas.
Evidentemente, outros fatores intrínsecos ao tema “investimentos” devem ser observados. Antes de decidir pela compra ou venda de um ativo, é de se supor que foram realizadas avaliações anteriores, levando assim a estabelecer o ponto de entrada ou saída. Do contrário, será difícil decidir-se por um posicionamento se nem mesmo se sabe por que entrou ou está propenso a sair. Mas esse é um outro tema e envolve planejamento e estratégia, fatores que contribuem para decisões mais equilibradas.
Geralmente as pessoas não se sentem confortáveis em admitir erros ou fracassos. Como nenhum investidor entra em uma operação na expectativa de perda, é comum que aceite as quedas sem estabelecer o stop, uma vez que tinham como “certo” o sucesso na investida. Se não admitir a possibilidade do mau empreendimento, ceifando possíveis perdas maiores, poderá ver as baixas se ampliarem, tornando um pequeno prejuízo em um dano excessivamente maior.
No mercado de ações, quem não sabe se decidir é considerado um indisciplinado. E os traders e investidores profissionais adoram aqueles que não reconhecem o valor da disciplina rigorosa, no que tange os momentos de se ausentarem, realizando quando os riscos ampliam as chances dos movimentos irem à direção contrária de seus interesses.
Não se deve ter medo de perder percentual aceitável, mas sim de não se posicionar diante de uma operação que poderá trazer prejuízos e aborrecimentos, tantas vezes maiores do que naquele momento em que não foi capaz de se decidir com destreza.
Fernando Biondi é empresário, e escreve no blog Papo de Bolsa.
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