por: Maurício Gallego

Comprar na baixa e vender na alta, é o que diz o senso comum. Provavelmente seria mais correto dizer: Operar na compra durante a tendência de alta e operar na venda na tendência de baixa. Isto é, seguir a tendência e não nadar contra a maré, tentando apostar numa reversão não confirmada, ou buscando adivinhar um topo ou um fundo.

Difícil, em um momento de crise, é saber quando começa uma tendência de baixa aguda, que determinaria vendas imediatas, de emergência, e o reinício de uma alta, uma recuperação que determinaria as compras. Em ambos os casos, quando você percebe, já pode ser tarde demais.

Do segundo semestre de 2008 até aqui vivemos uma crise que muitos dizem ter sido mundial. E alguns afirmam ter passado apenas de leve pelo Brasil. Quem tinha seu dinheiro investido na Bolsa de Valores de São Paulo por volta de outubro do ano passado talvez não pense assim.

Essas pessoas viram o índice Bovespa ir do patamar de aproximadamente 72 mil pontos em maio e chegar a 31 mil pontos em outubro. Uma queda de mais de 50% em poucos meses. Quem ficou comprado durante esse tempo, só verá seu dinheiro valer o mesmo que antes em 2011, segundo algumas projeções.

Muitos investidores que entraram no mercado no período de euforia, que foi de meados de 2007 até outubro de 2008, ficaram traumatizados e não querem mais saber da Bolsa de Valores. A euforia, definitivamente, não é o melhor momento para se entrar na bolsa. No entanto, é quando a maior parte dos novatos surge. O melhor momento da bolsa pode, dessa maneira, representar uma crise, mas de sensatez.

Quando você começar a estudar um pouco mais sobre análise técnica, vai ouvir falar de um sujeito chamado Ralph Nelson Elliott que, entre as décadas de 30 e 40, fez algumas observações interessantes sobre o comportamento das bolsas de valores. Entre elas, a de que as bolsas se comportam de maneira cíclica, e de que os investidores – em seu conjunto – se comportam primeiro através da emoção e, depois, através da ação, da razão propriamente dita. E, com isso, o mercado ondula, como o mar.

Outro estudioso do ramo do qual você também deve ter ouvido falar, Charles Henry Dow, observou coisas semelhantes. Que a massa se comporta de maneira similar, tanto nos movimentos de subida dos preços quanto nos de queda.

No caso da queda:

  • Fase 1: Os profissionais preparados começam a vender, iniciando a retração.
  • Fase 2: Nervosismo. Muitos investidores percebem o equívoco e alguns procuram se desfazer de suas posições, talvez com algumas perdas. Aqueles dotados de maior fé, começam a assumir posturas de torcedores e a tratar as empresas de que têm ações como ao “time do coração”.
  • Fase 3: Neste momento, muitos iniciantes saem da bolsa, traumatizados e realizando grandes prejuízos. Mas, finalmente, com ativos muito desvalorizados, a pressão vendedora desaparece e os investidores experientes recomeçam a comprar.

No caso da alta:

  • Fase 1: No início de um movimento, investidores mais preparados começam a comprar. Isso permite que – quando todos pensam que o mercado vai cair ainda mais – eles comprem papéis muito baratos. Nesse momento, as notícias repercutidas pela mídia são todas negativas.
  • Fase 2: É o momento de aceleração do movimento. A pressão compradora começa a aumentar. Aqueles investidores um pouco mais atentos se agarram no bonde antes que ele parta à toda.
  • Fase 3: Grandes altas, atraindo iniciantes. Os investidores inexperientes ficam cada vez mais confiantes, achando que acertam todas as suas análises. Muita gente entra no mercado nessa fase. Alguns chegam a ficar mais agressivos. Os investidores mais preparados podem estar começando a vender a bons preços. O resto da massa, porém, está eufórica, se alimentando de notícias positivas e aguardando novas altas. Abre-se a possibilidade para a fase 1 do mercado de baixa.

Como você pode ver, a Fase 1 da alta se confunde com a Fase 3, da baixa. E, provavelmente, esse é o melhor momento para a compra.

Olhando assim, até parece que a bolsa anda em círculos, como a serpente que devora a própria cauda. Mas não é assim. Durante toda a vida da bolsa, houve dezenas de crises, mas todas tiveram sua baixa recuperada após algum tempo. Se você olhar para um gráfico de 5 anos ou mais, verá que ele é ascendente, cheio de altos e baixos, como deve ser. Mas sempre sobe.

Assim, no longo prazo, a vantagem é entrar no momento da crise. E, mesmo que você tenha entrado em um momento de euforia seguido de desvalorizações, talvez ao longo dos anos, seja mais vantajoso manter seus investimentos, apesar das perdas iniciais.

Ao mesmo tempo, o período de dúvidas e incertezas das crises pode apresentar excelentes oportunidades para aqueles investidores mais preparados, no curto prazo.

Na verdade, olhando por esse ângulo, todo momento é bom para investir na bolsa. As crises, por envolverem certos riscos, ainda mais. Tudo é uma questão de perspectiva e preparo.

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2 comentários para o artigo "É bom investir durante uma crise?"

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16
out
2009
16/out/2009

Leandro Rosa

Ola, estou aos poucos lendo e familiarizando-me com os termos e valores do mercado.
Nao tenho muito dinheiro para investir mas pretendo comecar ja, deixar o dinheiro parado ou rendendo 0,0 algo no banco eh absurdo.
Pretendo comecar com 5 acoes diferentes, sendo 4 carros-chefe como Vale, Petro, etc e 1 para arriscar de acordo com o que vou entendendo do mercado.
Pode ser um bom comeco?
Obrigado

16
out
2009
16/out/2009

Maurício Gallego

Caro Leandro,

Para começarmos a investir individualmente em bolsa, não devemos correr riscos maiores, com empresas com pouca informação ou pouca liquidez. Lembre-se que o investimento de Bolsa é um investimento de risco, que pode ter rendimentos negativos no curto prazo.

Devemos começar com as chamadas “blue chips”, ou seja, as ações mais negociadas na Bolsa e consequentemente com maior participação do IBOVESPA. São elas Petrobrás (PETR3 e PETR4), Vale do Rio Doce (VALE3 e VALE5), Bradesco (BBDC3 e BBDC4), ItaúUnibanco (ITUB4), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM3 e USIM5), Siderúrgica Nacional (CSNA3), BM&F (BVMF3) e Itaúsa (ITSA4).

Desta maneira, você não corre o risco de sua carteira performar muito diferente do iBOVESPA.

Depois de formar um capital relevante, você poderá diversificar em empresas para correr um risco maior. Nesta etapa, caso você seja cliente do Link Trade, eu sugiro que você acompanhe as recomendações do Márcio Noronha e o nosso Fórum diário com o Fábio Franchini.

Bons Negócios.

Abs
Maurício Gallego

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