por: Gustavo Cerbasi

Nunca tive uma educação financeira, propriamente dita. Minha inspiração para começar a investir veio do meu pai… na forma de contra-exemplo. De origem muito humilde, ele fazia grandes sacrifícios pessoais para garantir conforto à família. Durante um tempo, meu pai aceitou trabalhar a 300 quilômetros da família em troca de uma posição melhor remunerada, o que nos obrigou a vê-lo apenas nos finais de semana. Quando concluí meus estudos, prometi a meus pais e a mim mesmo que jamais sacrificaria o ambiente familiar pelo conforto.

Comecei a trabalhar em 1994, como professor de inglês. Sem registro em carteira, ganhava o equivalente a três tanques de combustível por mês. Metade disso, guardava em fundos de renda fixa, pois eram tempos de juros altos e inflação baixa. Assim, pagava à vista tudo o que eu queria comprar. Nunca paguei um carnê sequer na vida! Se eu tenho uma obsessão, é contra dívidas e financiamentos. Em 1996, fui contratado como estagiário no Citibank, onde comecei a diversificar com fundos de ações.

Acompanhava quase diariamente as reuniões de caixa, onde se debatia o cenário e as estratégias da tesouraria. Minha maior dificuldade, no início, foi domar a ganância! Por pura especulação, transformei R$ 1,5 mil em R$ 6 mil em poucos meses, voltando a R$ 3 mil em poucos dias. Perdi metade do meu capital em poucos dias por puro descuido, já que analisava apenas o gráfico e não o fundamento da empresa em questão. Essa foi minha única perda no mercado financeiro. Foi daí que saíram minhas lições mais importantes, porque eu sempre fui atrás de saber o que estava na cabeça daqueles que ficavam com meu dinheiro, quando eu o perdia. Já tive outras perdas, claro, mas sempre parciais, dentro de uma estratégia de carteira, acompanhadas de ganhos significativos em outros ativos.

Fiquei viciado em day trade, mas ganhava tanto quanto perdia. Desisti das estratégias especulativas no dia em que minha namorada me visitou de surpresa e me pegou almoçando de pé, diante da tela do home broker. Na mesma época, comecei a lecionar em cursos de análise de balanços e contabilidade. Isso era em 2001, e eu ainda ganhava pouco. Porém, com o tempo, começaram a surgir depoimentos de alunos que tinham feito muito dinheiro com o conhecimento aprendido em minhas aulas. Foi aí que decidi dedicar mais tempo para aplicar essas estratégias em minha própria carteira, fazendo disso um negócio. Meus investimentos decolaram de vez quando juntei minhas estratégias de investimento com um plano bastante claro: casar.

Hoje, já juntei o que pretendia juntar, e tenho minha independência financeira conquistada com bastante solidez. Poupo 100% de minha renda do trabalho e vivo bem com o lucro dos investimentos. Não tenho o menor pudor em expor o fato de que estou aproveitando bem a vida, pois me planejei para isso. Só comecei a investir porque o mercado era acessível através dos fundos de investimento. Se fosse algo que me tomasse muito tempo, jamais acumularia dinheiro de forma eficiente, pois sempre fui muito dedicado à minha rotina pessoal e profissional.

Não reservo mais do que quatro ou cinco horas por mês às minhas estratégias e análises. O que mais consome meu tempo é minha estratégia para realizar sonhos. Chego a tirar férias de 60 dias corridos. Eu diria que o mercado financeiro me deu as condições para que minha vida passasse a ser mais segura e planejada. E as motivações para continuar surgem todos os dias, com as conquistas que acompanho na vida de meus filhos, e com os depoimentos de meus leitores e participantes de minhas palestras.


Gustavo Cerbasi é autor de diversos best sellers na área de administração e finanças, como “Dinheiro – Os segredos de quem tem”, “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” e “Mais Tempo, Mais Dinheiro”.

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