por: Link Trade

Márcio NoronhaNa primeira parte da entrevista com Márcio Noronha, referência nacional em Análise Técnica, falamos sobre as circunstâncias de seu envolvimento com o mercado de capitais. Nesta segunda e última parte, o especialista fala sobre uma de suas operações mais bem sucedidas, analisa seu comportamento como investidor, e dá alguns conselhos para os iniciantes.

Meu Milhão: Quais foram as suas operações mais lucrativas?

Márcio Noronha: Foram muitas. Mas, justamente pela grande quantidade, é difícil listá-las hoje. Muitos anos se passaram e não me lembro mais da maioria. Uma, entretanto, foi inesquecível pelas circunstâncias que a cercaram e pelo lucro auferido.

MM: Pode nos contar?

Noronha: Claro! Aconteceu no final da década de sessenta, quando o meu irmão era gerente de uma loja de uma corretora em Copacabana. Lá havia uma sala onde as pessoas podiam ficar e assistir, ou operar durante o pregão.

Em uma tarde, uma dessas pessoas foi embora, deixando sobre a mesa um jornal belga. Meu irmão, que dominava a língua francesa, dando uma folheada no jornal, notou que na seção de economia havia uma lista de cotações de ações negociadas na bolsa de Bruxelas. Nessa lista constava uma ação chamada “Belgo Mineira”. Fazendo a conversão do preço em franco belga para a nossa moeda, havia uma diferença tão grande que meu irmão achou que fosse apenas uma coincidência de nome. Mas me ligou para contar a história.

Decidi investigar. Sem chamar a atenção, entrei em contato com um ex-colega de Faculdade, que naquela época era gerente de uma área internacional do Citybank. Procurei saber se ele conhecia algum corretor da bolsa de Bruxelas, que pudesse conversar sobre uns projetos que eu tinha em mente. Dois dias depois, embarquei para Paris. Na manhã seguinte, subi num trem para Bruxelas ao encontro do corretor que me aguardava.

Então fiquei sabendo que o que se negociava lá eram procurações de ações custodiadas no Brasil, nos bancos “Francês e Brasileiro” e “Ítalo-Belga”. As ações eram pertencentes a ex-funcionários da Belgo-Mineira, que as receberam como bônus enquanto trabalharam aqui. Para não me alongar, consegui comprar cerca de US$ 800 mil em ações, na faixa de R$ 4,00 cada. Vendi nos dez dias seguintes, a um preço médio de R$ 16,00, quadruplicando meu investimento.

MM: O que lhe vem à mente se indagado sobre a operação mais dramática em que esteve envolvido?

Noronha: Sofri inúmeros prejuízos, mas sem dúvida o mais dramático foi na fase final da minha derrocada. Após duas rolagens consecutivas, dobrando o lote a cada uma delas, tive que liquidar um termo enorme de Belgo-Mineira a R$ 22,00. No mercado à vista, ela estava sendo negociada a R$ 4,00. Perdi mais do que havia ganhado na minha operação mais lucrativa!

MM: Você saberia explicar quais foram os principais motivos para o seu sucesso e, posteriormente, seu insucesso?

Noronha: Foi o mesmo para ambos: Ignorância! Ganhei sem saber como, e perdi sem saber como. Se na época tivesse o mínimo do conhecimento que tenho hoje, não teria chegado tão longe como cheguei. Mas teria preservado a maior parte, e hoje deveria estar muito além.

MM: Olhando para trás, qual foi o seu maior erro?

Noronha: Operar alavancado foi um deles, mas sem dúvida o pior foi operar sem stop.

MM: Qual seu conselho para um investidor iniciante?

Noronha: Antes de começar a operar por conta própria, procure aprender até encontrar uma forma confiável de operar. A busca de uma metodologia operacional passará por cursos, leituras e, finalmente, operações simuladas. Isso até adquirir confiança para entrar no mercado real. Até lá, procure uma corretora ou algum administrador que o mantenha a maior parte do tempo na ponta certa do mercado. E seja disciplinado na aplicação dos stops.

MM: Existe algum analista que você admira?

Noronha: Vários! Mas os meus ídolos são Joseph Granville e Jim Sloman.

MM: Você pode revelar o seu método operacional?

Noronha: Claro, o meu método é muito simples. Utilizo a simetria para fazer as projeções dos movimentos, e a distância entre as resistências e os suportes para decidir se quero ou não fazer determinada operação.

MM: Que tipo de investidor você se considera?

Noronha: Sou o que os americanos definem como um “position trader”, ou seja, um carregador de posição. Basicamente, só opero a favor das forças predominantes do mercado, procurando permanecer na operação o maior tempo possível. Se não evoluir conforme o esperado, procuro zerar o mais rápido possível.

MM: Como é o seu processo decisório?

Noronha: É uma seleção natural, que acontece depois de visualizar diariamente uns 500 gráficos. Com o tempo, sua vista fica acostumada a buscar determinados padrões, que se formam em tempos diferentes nos diferentes gráficos. É tudo uma questão de identificá-los e depois monitorá-los.

MM: Qual o tamanho ideal de uma carteira de ações?

Noronha: Não tem um tamanho ideal, mas sim um tamanho compatível com o que você estiver disposto a perder numa única operação. A carteira deve ser proporcional ao quanto você está disposto a arriscar, numa operação isolada, considerando o critério de só comprar um segundo ativo quando o stop do primeiro já tiver sido movido para uma área de break-even.

MM: Existe uma fórmula para um investidor se transformar num vencedor sistemático do mercado?

Noronha: Não existe uma fórmula, mas diria que existem pesos assim distribuídos:

60% do sucesso está na disciplina de seguir o que foi planejado antes de entrar no mercado;

20% diz respeito à seleção da operação;

20% diz respeito à administração financeira dos recursos, no tamanho das apostas.

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2 comentários para o artigo "Como se forma um position trader (Parte 2 de 2)"

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2
out
2009
2/out/2009

Beto Veiga

Muito interessante a história de vida do Noronha.
Queria aproveitar para reforçar uma idéia que ele muito sabiamente deixou para os iniciantes: Não há como ganhar para sempre. Muita gente tem entrado de cabeça em ações porque vê o vizinho, que também sabe muito pouco ou quase nada, tirar um dinheirinho por pura sorte.
Isso é uma temeridade.
Aproveito para dar os parabéns ao Meu Milhão por difundir estas histórias de sucesso-fracasso-sucesso e assim continua a vida.
Abraço do Beto

2
out
2009
2/out/2009

luis

trabalho em bolsa a anos,,,,termo jamais…

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