Fábio nasceu em Taubaté, uma pequena cidade do interior de São Paulo. Sua família era bem simples e, certamente, investir dinheiro não era um hábito. Nem por isso resolveu seguir uma vida pacata e os caminhos que escolheu o levaram a tomar uma decisão que mudou para valer o rumo de sua vida: investir na bolsa.
“Trabalhei desde muito cedo em uma fábrica e guardava todo meu dinheiro. Meus amigos me chamavam de pão-duro, mas minha mãe sempre me defendia: ‘Pão-duro não, ele é econômico’. Mãe sempre sabe das coisas”.
Veja como as coisas são: uma base de aviação do exército foi instalada na cidade onde morava e ele cismou que seria piloto de helicóptero. Falou com um professor e explicou que não tinha condições de pagar o curso preparatório para o colégio militar. O professor respondeu: “Você terá que fazer um concurso de bolsas e desistir do seu emprego”. Foi assim que entrou para a Escola Preparatória de cadetes do exército, em Campinas.
Em 1998, após se formar na Academia Militar das Agulhas Negras, escolheu ser transferido para a Amazônia, só pela aventura. Por ser um lugar afastado, recebeu um bom dinheiro pela transferência. Não foi nenhuma grana absurda, mas não pensava em deixá-la parada na conta. Também nunca pensou em poupança, queria investir na bolsa.
Tinha um tio comerciante que dizia: “O dinheiro não vem do trabalho. O trabalho é uma forma de você se inserir em um contexto social e prestar um papel para tal. O dinheiro vem, sim, da especulação financeira. Você tem de ser disciplinado para seu dinheiro trabalhar por você”.
Sempre foi muito disciplinado. Na Amazônia, trabalhava em pequenas centrais hidrelétricas na fronteira e sempre que tinha alguma folga ia para Manaus pesquisar na internet e comprar bibliografias sobre finanças. Um dia, foi parar no site do Márcio Noronha e fez um curso virtual sobre mercado financeiro. Depois disso, todo mês recebia seu salário, separava uma parte para uso e guardava o restante. Quando adquiriu um bom conhecimento, começou a investir sem medo.
Terminado seu tempo de Amazônia, foi para o Rio de Janeiro. Estudou economia, fez pós-graduação e mestrado em finanças. Nas férias, fez cursos em Chicago e estagiou no Royal Bank do Canadá. “Com o tempo, percebi que, se eu aplicasse meu dinheiro em ativos livres de risco, como tesouro direto, por exemplo, já teria remuneração maior do que meu salário”. Foi então que virou um adepto atemporal do home broker.
Deixou o exército e começou a se dedicar inteiramente às ações. Chegou a viver algum tempo apenas operando. Tinha uma carteira de longo prazo e outra só para fazer trade. “Minha meta era criar um lastro que me permitisse viver de renda”.
Porém, viver operando pode ser um tédio absurdo. Ficava na frente do home broker o dia inteiro, às vezes, sem sair de casa. Mais tarde, percebeu que nada disso era necessário.
“Depois de um ano operando, surgiu uma nova oportunidade: um amigo pediu para montar uma apresentação e ensiná-lo a operar. Dias depois, me ligaram:
— É você que ministra um curso sobre mercado financeiro?
— Não. Eu só fiz uma apresentação.
— Mas seria capaz de ministrar um curso? Precisaria de quantos alunos?
— Precisaria ter dez.
— Quantos você já tem?
— Só você! Mas se me arrumar mais nove, eu dou o curso”.
Assim, montou uma turma, abriu uma empresa de treinamentos e começou a ministrar cursos sobre o mercado financeiro. Em paralelo, continuou operando.
“De 2000 a 2002, pro exemplo, a bolsa só caiu. Mas, nessa época, eu já sabia operar vendido ou fazer lançamento coberto para proteger minha carteira. Tive algumas perdas isoladas, assim como ganhos isolados também. Dei sorte a partir de outubro de 2002, até antes da crise. Nessa época, a bolsa só subiu e qualquer um ganhou dinheiro. Em 2005, senti a necessidade de estar mais próximo do mercado. Deixei de lecionar e resolvi trabalhar em uma corretora, onde lidei com pessoas muito mais experientes e conheci operações mais complexas”.
“Investir em ações mudou a minha vida em termos financeiros, culturais e profissionais. Mas isso não aconteceu só em 2002 e sim quando eu ainda estava em Manaus, em 1999. Ali eu já sabia que, um dia, iria viver do mercado. A vida no exército era muito boa e gostava muito da atividade, mas tudo era muito previsível”.
Em qualquer profissão, é preciso conhecer o que se está fazendo. Se dedicar e estudar o mercado financeiro é fundamental, para perceber que ele não é tão complicado assim.Dessa forma, o investidor poder agir com mais propriedade.
Tudo ficou mais fácil com o tempo. Não só por ter mais experiência, mas devido às novas tecnologias e às novas fontes de informação. “A internet, o home broker e depois as plataformas, tornaram as coisas bem mais simples”.
No Link Trade, onde trabalha agora, Fábio se esforça para criar conteúdos que transformam uma linguagem pesada e complexa em informações simples e objetivas, prontas para o cliente — o que provavelmente era raro de encontrar quando ele começou. “Sei bem o que procura quem está começando. E é por isso que digo que, se você quiser começar a investir hoje em dia, pode ir, sem medo”.
“Basta ter interesse”, diz Fábio. E nem precisa mudar para a Amazônia para isso.
Fábio Calderaro é economista e mestre em finanças. Trabalha na área de potencialização de clientes do Link Trade, que engloba desenvolvimento de produtos, educação financeira, entre outros assuntos.
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2 comentários para o artigo "As ações que mudaram uma vida"
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2009
Artur Ornelas
Fala Fábio!
Mto legal sua história!
Parabéns a Link pela iniciativa do blog e twitter.
Abraços
Artur
2009
Alex Lial Marinho
Não creio que o que está escrito aí seja aplicado a qualquer pessoa. Conheço bem o Calderaro, desde o tempo de colégio militar e sei que é uma pessoa diferenciada. Era o primeiro colocado em todos os cursos que fazia, mesmo dormindo em todas as aulas.
Ah, e é muito mais pão duro do que foi colocado aí.rsrs
Mas é um grande amigo e uma inteligência privilegiada
Forte abraço Caldas.
Alex









