por: Monica Saccarelli


Talvez você não tenha se dado conta, mas a tão falada geração Y pode estar influenciando a sua vida, mesmo que você faça parte da geração X (de 1965 a 1979) ou dos “baby boomers” (de 1946 e 1964). Representada por jovens adultos de até 30 anos, a geração Y já promove grandes mudanças em nossa vida social e profissional.

Intrigada com a ansiedade de amigos e colegas de trabalho dessa geração, que parece precisar conquistar tudo até os 30 anos senão o “mundo acaba”, eu decidi observar mais atentamente o comportamento desse público que logo tomará conta do mercado de trabalho e, consequentemente, também trará grande impacto ao mundo financeiro.

Para a bolsa, em especial, a nova geração adquire cada vez mais relevância, colhendo os frutos da melhora pela qual a economia brasileira passou nos últimos anos. Afinal de contas, a geração Y já chegou ao mercado com um cenário de inflação controlada. Com a presença crescente da bolsa no noticiário, o assunto também se tornou mais familiar.

No tempo da geração dos “baby boomers”, a compra e venda de ações ocorria via operadores do pregão por meio do contato cliente-corretora, por telefone ou visita pessoal. Com o avanço tecnológico, hoje basta um clique no mouse para enviar suas ordens, sendo esse o meio de operação favorito da geração Y, a geração da internet. Enquanto os mais velhos cativam o relacionamento com o gerente do banco ou o corretor da bolsa, essa geração foge desse procedimento, encarado como tão velho e arcaico quanto um talão de cheques. Para eles, o home broker e o home banking são o seu habitat.

O investimento deles ainda não se destaca pelo volume, pois estão há pouco tempo no mercado de trabalho e, portanto, possuem uma renda menor que a de um sênior da geração X. Mas o que se vê no mercado é que olham para a bolsa de outra forma, com menos receio.

Exibem um conhecimento da bolsa que dá inveja em muitos “coroas”. Com o efeito da internet, se acostumaram a buscar tudo na web, revelando uma faceta autodidata. É impossível, inclusive, imaginar o dia desse jovem sem o auxílio das plataformas digitais.

Geração YO dia típico de um investidor Y começa com o despertar do smartphone. A caminho da academia, lê os e-mails e se atualiza da movimentação dos mercados estrangeiros com a ajuda de aplicativos especializados. No trabalho, sempre encontra tempo para uma operação ou outra no home broker, enquanto cuida dos afazeres da empresa.

A interatividade já faz parte do seu cotidiano, seja em chats diários com analistas, na participação em fóruns de redes sociais ou na troca constante de SMS com amigos e paqueras. Além disso, tem dias em que encontra tempo para assistir um curso à distância.

Não por acaso, é o público que mais tem motivado os lançamentos de ferramentas de compra e venda de ações para IPhone. Nesse universo de conectividade, acompanhar as ações diariamente não é um bicho de sete cabeças, mas uma tarefa tão simples como ter mais uma janela aberta no desktop do computador. Totalmente inserido numa realidade multimídia, esse jovem não tem dificuldade em realizar várias atividades ao mesmo tempo.

Sua personalidade imediatista os inclina mais para as análises técnicas. O gráfico se torna atrativo não apenas pela sua característica de investimento de curto prazo, como também na metodologia de análise, mais fácil que a de ler balanços financeiros.

Além disso, esse jovem tende a se tornar um investidor globalizado, sem fronteiras, a exemplo da internet. Quando uma análise sugere que um papel listado numa bolsa de fora é atrativo, nada o impede de explorar esse novo mercado.

Após essa reflexão, me dei conta de que entender a geração Y não era uma mera demanda da minha curiosidade pessoal, mas uma necessidade que o mercado começa a nos trazer. Na vida pessoal, os prejuízos de ignorar esses fatos podem ser apenas sociais, mas, se não estivermos atentos, não seremos bons gestores dessa geração Y e muito menos iremos satisfazer esse novo perfil de cliente, cada vez mais relevante.

E com a ansiedade dessa moçada, não se surpreenda se um dia você se deparar com um chefe dessa geração, que não entenderá se você ainda não estiver familiarizado com o mundo moderno. Se por um lado é uma questão de tempo para que sejamos cobrados sobre essas novas tendências, da mesma forma quem for precavido poderá lucrar caso tente se antecipar a esse movimento, tão irreversível quanto a própria internet.


Artigo de Monica Saccarelli publicado no jornal Valor Econômico de hoje.

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2 comentários para o artigo "A vez da geração Y: surge um novo perfil de investidor na bolsa"

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12
ago
2010
12/ago/2010

Eduardo Marzbanian

(Jovens adultos dos anos 2000)^(Economia em crescimento) = Muita grana para investir em bolsa nos próximos anos

[...] A vez da geração Y: surge um novo perfil de investidor na bolsa [...]

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