por: Rico.Com.Vc
O que é ser Rico para você? Os significados são muitos. Variam de pessoa para pessoa e de acordo com o momento que se vive.
Seja ter tempo para viver com qualidade, comprar seu imóvel, viajar para lugares incríveis, conquistar uma aposentadoria tranquila ou poder estar com as pessoas de quem se gosta. Pode até ser dinheiro ou tudo isso junto; só precisa ser importante para você.
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O que é ser Rico para você?
por: Rico.Com.Vc

É comum ouvirmos variadas definições da Bolsa de pessoas que vivem esse mundo de longe: alguns acham que é um cassino ou uma loucura, que sobe e desce como uma montanha-russa. Outros acham que é onde muitas pessoas ficam ricas ou quebram; outros ainda encaram como uma oportunidade a mais de investimento de alto risco, mas, em compensação, como tudo na vida, também de mais retorno.

A verdade é que a Bolsa pode ser tudo isso e talvez até um pouco mais. A melhor definição, para mim, é a de um órgão onde podemos trocar o papel-moeda por ativos e ficar sócios de empresas sólidas que podem render, e muito, no longo prazo. Mas, num mercado onde tudo é extremamente sensível a qualquer variação e agentes tentam adivinhar com antecedência o que vai subir ou cair para fazer suas apostas, o que vemos é uma volatilidade bem alta que mistura expectativas racionais, que mudam com os acontecimentos da economia, somados a um fator menos racional que é a emoção humana – razão pela qual vemos os movimentos em manada e muitos exageros, seja por excesso de otimismo e ambição (na alta), seja por excesso de pessimismo e medo (na baixa).
É por todos esses motivos que a Bolsa também pode ser encarada como um lugar onde se compra barato e vende-se caro – e vice-versa – os seus produtos, no caso, as ações, possibilitando lucro ou prejuízo com essa volatilidade que torna o agente muito mais um especulador “trader” que um investidor, algo que é bem mais difícil de ser vencedor no longo prazo, mas que acaba atraindo muito mais pessoas físicas para o mercado erradamente, pessoas que entram pensando em lucrar rápido e fácil.

Apesar de verem na prática que não é assim tão fácil ganhar dinheiro, acabam atraídas pelas fortes emoções que as operações trazem, como desafio, prazer e outros sistemas que estimulam químicas cerebrais do circuito de recompensa. Algo que no extremo pode até gerar vícios, mas que no geral é saudável, assim como qualquer atividade que gere emoções que estimulem qualidades como sagacidade, jogo de cintura e pensamento lógico, entre outros.

Existe uma diferença enorme entre investir na Bolsa e fazer trade. Primeiro no tempo: um trader pode ser de curto, médio e longo prazos, enquanto um investidor está necessariamente ligado a longo prazo. Outra diferença é que o trader quer aproveitar ao máximo a volatilidade dos preços para ter lucros, comprando barato e vendendo caro. Já o investidor está mais preocupado em isolar a volatilidade e empregar o seu dinheiro por ativos que, no longo prazo, venham a trabalhar para ele, pagando dividendos ou mesmo na forma de poupança e valorização.

A maneira mais fácil de ser investidor é tratar a Bolsa como previdência privada, comprando todo mês, seja na alta, seja na queda das boas ações. Quem fez isso nos últimos trinta, vinte ou dez anos com certeza está muito feliz, principalmente se investiu nos setores de commodities e bancos.

Existem maneiras de conhecer os fundamentos das ações para tentar comprar nas horas baratas e vender nas caras. Usar derivativos para isolar a volatilidade é outra estratégia que pode ser usada. Mas a verdade é que comprar todos os meses ações de boas empresas é a maneira mais fácil e lucrativa de se participar da Bolsa, até porque, quando se está “comprando”, a queda é sempre bem-vinda para aumentar o portfólio e diminuir o preço médio sem que a alta seja ruim. Nesse caso, a emoção só vai atrapalhar no sentido de manter a disciplina e não querer inventar, de resto não há grandes dificuldades, só virtudes, como a paciência.

Já o trader ou especulador, esse sim precisa controlar muito as emoções. Todo trader perde, mas o importante para ele não é ganhar ou perder e sim o quanto ele lucra nos acertos em comparação aos erros e se o saldo é positivo. Especuladores ou traders bem-sucedidos têm muita disciplina, bom senso, noção de risco/retorno e um método claro para aumentar sua probabilidade, seja ele técnico ou fundamentalista.

Mas a grande conclusão de tudo isso é que, antes de conhecer a Bolsa, é preciso conhecer o seu perfil. É preciso saber se você é especulador ou investidor, se tem a disciplina de não inventar ou tenta se aproveitar da volatilidade. O bolso é a parte mais sensível do ser humano e é nessa hora que cada um conhece um pouco mais de si.

Artigo veiculado no jornal Valor Econômico em 29/04/2011
Fernando Góes tem mais de 10 anos de estudo e prática de Análise Técnica. Atuou na área educacional do mercado financeiro e passou por corretoras, sendo um dos pioneiros na utilização de Fóruns e chats para disseminação do tema.