Texto de Fernando Biondi

Noronha iniciou no mercado de renda variável em 1967, tornando-se dos mais conceituados analistas gráficos do Brasil. Consultor e gestor de recursos financeiros, desde 2008 atua como Home Broker da Link Investimentos. Formado em economia é também autor da “Timing“, a primeira revista eletrônica do país, e do livro “Análise Técnica: Teorias, Ferramentas e Estratégias“.
O que o levou a escolher a análise técnica para conduzir suas operações?
Uma sequência de perdas com opções no início de 1984 coincidindo com o conhecimento de Peter Gillinghan, um analista técnico inglês que tinha vindo para o Brasil tentar a sorte e passava os dias assistindo o pregão na sala de clientes da minha corretora. Ele sugeriu que eu lesse o seu livro de cabeceira “Timing – Uma Nova Estratégia Diária de Maximização dos Lucros no Mercado de Ações” de Joseph Granville. Foi amor à primeira vista.
Qual o tipo de operação o senhor realiza com mais freqüência em seus negócios e como costuma definir a estratégia para entrada, saída e controle de risco?
Faço dois tipos de operações. No dia-a-dia, concentro 90% do meu capital bursátil, fazendo “operações de posição”, nas quais busco permanecer o maior tempo possível surfando uma tendência. No outro tipo, em vez de operar opções prefiro colecionar ações com simetrias potencialmente altistas. No primeiro caso, utilizo a simetria e as distâncias entre os suportes e as resistências para definir a estratégia operacional. Normalmente utilizo o fundo anterior como estope para as compras e o topo anterior para estopar as vendas. Em nenhum momento tenho uma exposição de risco superior a 3% do meu patrimônio bursátil. No segundo, não uso estope, apenas guardo na gaveta.
Quais as lições mais relevantes aprendidas em sua vida como operador?
Primeiro e mais importante: Sem disciplina e estope não se vai longe.
Segundo: Evitar tomar decisões operacionais influenciado pela mídia.
Terceiro: Não depender do dinheiro utilizado nas operações para pagar as contas no final do mês. Caso contrário, pressionado emocionalmente, dificilmente conseguirá ser disciplinado.
O senhor diz admirar os trabalhos dos analistas Joseph Granville e Jim Sloman. Qual a contribuição marcante desses profissionais?
O Granville me mostrou como fazer uma leitura correta dos fundamentos técnicos do mercado e, sobretudo, a vê-lo como um Jogo. O Sloman me fez ver o Tabuleiro onde o jogo é jogado e como movimentar-me de forma mais eficiente sobre ele.
Robôs, algoritmos, alta freqüência são termos atuais. As inovações tecnológicas trazem consigo alterações significativas, cobrando novas posturas dos traders diante das operações?
Acho que não. Seria preocupante se elas pudessem afetar as tendências, pois neste caso os mercados poderiam ser manipulados. Nesse ambiente de robôs algoritmos e alta freqüência, atualmente são tantos investidores lutando com as mesmas armas que acabam se anulando. Geralmente são ferramentas que se aproveitam de distorções de curtíssimo prazo sem afetar a direção dos preços. O lado positivo foi que abriram espaço para um novo tipo de profissional “o trader cientista”.
O mercado carece de restrições e mudanças visando coibir o alto poder especulativo, como, por exemplo, restringir ou banir a venda a descoberto?
Um mercado do tamanho do nosso não pode ser manipulado. Alguns investidores mais leigos, por ignorância, acreditam que algumas Fundações ou um pool de grandes bancos possam, em algum momento, se juntar para manipular algum mercado ou ativo. Talvez não saibam que a maioria dessas instituições tem uma grande quantidade de traders competindo entre si pelas melhores perfomances, bem como, contra os bancos concorrentes, todos buscando o melhor retorno para os seus fundos. Não acho que a venda a descoberto deva ser banida. Acho que deve haver regras, mas uma vez estabelecidas as operações devem ser livres.
Quais os erros mais comuns daqueles que operam mercados?
Operar por conta própria sem nenhum conhecimento.
Ficar congelado quando a operação não está evoluindo de acordo com o esperado.
Alavancar no mercado a termo e de opções.
O que é o método “Simetria Sanfonada”?
A Simetria Sanfonada é uma metodologia alternativa de análise gráfica que assume que toda vez que surgir um ponto de retorno, na continuação o desdobramento mais provável é o inverso do que estiver mais próximo à sua esquerda. Em cima dessas trajetórias utiliza os principais níveis de suportes e resistências para avaliar e montar estratégias operacionais.
A análise técnica se mostra eficiente para operar prazos menores que vão do curtíssimo ao curto prazo, e até mesmo o MP. É possível obter sucesso construindo uma carteira de longo prazo utilizando-se apenas deste método?
A análise técnica funciona em qualquer periodicidade. Tanto serve para operar gráficos tic-a-tic como gráficos mensais ou anuais. O que vai mudar são os parâmetros de estope. Numa visão de curtíssimo prazo o estope deve ficar o mais próximo possível do preço corrente enquanto numa visão de longo prazo deve ficar suficientemente afastado do preço corrente para permitir que o mercado trabalhe sem que seja atingido pelas correções de curto prazo ou pelos ruídos externos.
O que é o gráfico Futuro Mensal Perpétuo?
O Gráfico do Índice Mensal Perpétuo foi um caso de “atirar no que vi e acertar no que não vi”. Devido ao Princípio da Confirmação daTeoria de Dow procurei transformar o gráfico do índice futuro que nasce e morre a cada dois meses num gráfico contínuo para poder confrontá-lo com o índice Bovespa à vista visando confirmar ou não eventuais rompimentos.
Com o passar do tempo percebi que em vez de evoluir de modo similar à trajetória do Bovespa desdobrava-se como um oscilador. De tempos em tempos atingia um determinado patamar (faixa vermelha) de onde caía durante um longo período até chegar num patamar inferior (faixa verde) de onde voltava a subir de volta ao patamar anterior. Trocando em miúdos, transformou-se num confiável indicador dos ciclos de alta e baixa de longo prazo.
Gráfico Futuro Mensal Perpétuo

Como vê o desempenho dos índices Ibovespa e Dow Jones no médio e longo prazo?
No momento estou em descompasso com as condições atuais do mercado. Vejo números conflitantes que me impedem fazer uma avaliação com convicção. Creio que só mesmo com mais algum tempo de desdobramento poderei fazer uma leitura que faça sentido, mas não sei dizer quanto tempo mais será necessário para que tudo entre em harmonia.
O senhor é autor da revista Timing e analista da Link Trade, além de ministrar cursos sobre análise gráfica. Conte-nos sobre suas atividades atuais e o quais os ensinamentos os alunos aprendem em seus cursos?

Minhas atividades atuais consistem de um chat diário das 9:00 às 10:00, da elaboração de análises diárias das ações que compõem o índice Bovespa acompanhadas de monitoramento – estratégias operacionais e movimentação dos estopes – e da edição da revista Timing nos fins de semana. De dois em dois meses dou um curso presencial num fim de semana com a duração de 20 horas alternando entre São Paulo e Rio de janeiro.
Nos meus cursos ensino aos meus alunos uma metodologia operacional muito simples baseada em desdobramentos simétricos associados aos topos e fundos, bem como a disciplina de serem predadores, de não operarem por operar, mas terem a paciência de aguardar pelo lugar certo para dar o bote e sair fora o mais rápido possível quando a operação não estiver evoluindo conforme o esperado.
Fernando Biondi é empresário, e escreve no blog Papo de Bolsa.
O Fluxo de Caixa Descontado (FCD ou DCF, em inglês) é uma importante ferramenta de avaliação de empresas. De acordo com essa metodologia, o valor de uma empresa é o somatório dos fluxos de caixa projetados descontados a uma taxa que reflita o risco do investimento.
Uma das vantagens do DCF é que ele pode ser aplicado em diversas empresas, independente de suas políticas de dividendos ou estrutura de capital. Além disso, essa avaliação leva em conta a perspectiva do controlador da empresa, que tem a capacidade de influenciar a distribuição e aplicação do fluxo de caixa.
Porém, uma das dificuldades desse método está em saber qual fluxo de caixa e qual taxa de desconto utilizar. O Fluxo de Caixa Livre para a Empresa (em inglês: Free Cash Flow to Firm – FCFF) é definido como o fluxo de caixa gerado pela operação da empresa que está disponível para pagar seus credores e acionistas.
- Uma das fórmulas para calculá-lo é:
FCFF = NI + Dep. + [Int. x (1 – tax rate)] – WC – CAPEX
- Onde:
NI: Lucro Líquido
Dep.: Depreciação
Int.: Despesa com Juros
Tax Rate: Alíquota de IR
WC: Investimento em Capital de Giro
CAPEX: Investimento em Capital Fixo
- Após o pagamento dos credores, a quantia que sobra é chamada de Fluxo de Caixa Livre para os Acionistas (em inglês: Free Cash Flow to Equity – FCFE). Sua fórmula é:
FCFE = NI + Dep. – WC – CAPEX + Net Borrowing
- Onde: Net Borrowing: Novos empréstimos menos amortizações dos empréstimos antigos
O FCFE é mais fácil de ser calculado e é usado quando a estrutura de capital da empresa não é volátil. Porém, quando a estrutura de capital é volátil ou a empresa apresenta FCFE negativo, o FCFF é mais a apropriado.
O valor da empresa é o valor presente do FCFF futuro descontado pelo WACC (Weighted Average Cost of Capital) como taxa de desconto. Já o valor do Capital Próprio (Equity, em inglês) é o valor presente do FCFE futuro descontado pelo custo do capital próprio. O valor do Capital Próprio também pode ser calculado descontando o FCFF e subtraindo o valor de mercado da dívida.
De qualquer forma, esse método de avaliação envolve uma série de premissas que pode não se confirmar. Por isso, o ideal é complementar a avaliação do DCF com outras ferramentas como análise de múltiplos, por exemplo. Fique sempre atento às nossas dicas!

Antes de começar a investir no mercado de ações é fundamental estudar sobre o assunto. É preciso saber o que é uma ação, qual o motivo das empresas abrirem capital em Bolsa, o que é um provento etc. São informações básicas, mas que podem ser úteis na sua tomada de decisão. No texto abaixo, abordo alguns desses temas básicos, que costumo chamar de primeiros passos, para começar a investir no mercado de ações. Vamos começar entendendo o que é uma ação.
Ações
Ações são títulos de renda variável, emitidos por sociedades anônimas, que representam a menor fração do capital de uma empresa. Essas empresas abrem capital em Bolsa para captar recursos financeiros por diversos motivos, sendo na maioria das vezes para investimentos.
A emissão dessas ações acontece por meio de oferta pública inicial, mais conhecida como IPO (do Inglês Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial). Existem dois tipos de ofertas: a primária e a secundária. A primária representa a abertura do capital social de uma empresa, que vende as ações usando os recursos para financiamento ou fazer investimentos. A oferta secundária é a emissão de ações já negociadas e, normalmente, são ações de grandes sócios.
Esse recurso financeiro não vai para a empresa, mas para o acionista que está vendendo a ação. Após abertura de capital, os papeis são negociados na BM&F BOVESPA, na mesa de operações de uma corretora, ou no home broker. O home broker é um sistema de negociação via internet, possibilitando a compra e venda de ações de qualquer lugar, sem precisar ligar para a corretora.
Existem três tipos de ações: preferenciais, ordinárias e units. As preferenciais oferecem primazia no recebimento dos dividendos ou no reembolso do capital, em caso de liquidação da companhia. As ordinárias concedem ao seu detentor o direito de voto nas assembléias da companhia. E as units são certificados de depósito em ações.
Exemplos:
Ações Ordinárias: PETR3 , VALE3
Ações Preferenciais > PETR4, VALE5, ARCZ6
Unit: ALLL11, SULA11
Depois de entender o que é uma ação e por onde negociar, já é possível falar dos proventos, as formas que um investidor recebe dinheiro com ações.
Proventos
- Dividendo: Nada mais é do que uma parcela do lucro distribuído aos acionistas, ao fim de cada exercício social. A companhia deve distribuir no mínimo 25% do seu lucro liquido ajustado.
- Bonificação: Distribuição de novas ações para os atuais acionistas, quando há incorporação de reservas ao capital social.
- Subscrição: É um direito dado aos acionistas para adquirir novas ações a custo e preço determinados. Normalmente há um desconto com o preço de mercado para que a subscrição valha a pena para o acionista.
- Juros sobre capital próprio: Remuneração parecida com os dividendos, mas nesse caso a empresa não é obrigada a distribuir. O acionista que receber os juros tem 15% retirado na fonte, referente ao Imposto de Renda.
Eventos
Um dos eventos mais conhecidos é o desdobramento (split), um aumento proporcional da quantidade de ações dos sócios sem alterar o capital social da empresa. O objetivo da empresa em fazer isso é reduzir o preço do ativo e aumentar sua liquidez.
Temos também o grupamento (inplit), o inverso do desdobramento: Reduz a quantidade de papéis em circulação, agrupando um determinado número de lotes em um só. O objetivo é corrigir o valor das ações em virtude de eventuais trocas de padrão monetário, ou reduzir a volatilidade dos ativos.
iBovespa
Outra informação importante é o índice Bovespa. Muitas pessoas só conhecem esse índice ao ler ou ouvir sobre em jornais divulgando sua cotação atual. Mas o que é exatamente? Do que ele é composto?
O objetivo do índice Bovespa é apresentar o comportamento do mercado de ações na Bolsa de Valores de São Paulo. O índice não é nada mais do que uma carteira teórica de investimentos. A carteira é composta pelas ações que correspondem por aproximadamente 80% do volume nos últimos 12 meses, sendo que essa carteira é atualizada a cada quatro meses. Cada Bolsa de Valores tem um índice que o mercado leva como referência, como o Dow Jones etc.
Por isso, o Ibovespa é o principal índice da Bolsa de São Paulo, mas temos também índices de setores, índices de papéis com uma liquidez menor, entre muitos outros.
Como você pode ver, é fácil investir, ainda mais no home broker. Acredito que foi possível entender o básico sobre o assunto. Acompanhe todas as nossas dicas aqui no blog, e esteja sempre preparado para investir!


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