Como todos sabem, o mercado não segue um raciocínio lógico. Ele é feito de distorções, e eu sempre fui um curioso para entender essas distorções e me aproveitar delas. A estratégia mais interessante que achei foi o Long & Short. No texto abaixo, irei abordar o tema e explicar melhor o que seria esta estratégia.
No mercado de ações, existe ineficiência e eficiência do mercado. A eficiência é quando o preço dos ativos, tal como é fixado na realidade, tem uma boa expectativa do valor teórico. Neste caso, o preço antecipa corretamente as informações em circulação no mercado. A ineficiência ocorre em uma distorção no preço do ativo, ou seja, quando o preço não condiz com a expectativa do mercado. No momento em que essa situação é identificada, muitos investidores arbitradores montam estratégias para se aproveitar dessa distorção. E uma das operações mais utilizadas, principalmente por pessoa física, é justamente o Long & Short.
A operação de Long & Short consiste em comprar uma ação e vender outra. O investidor vende um ativo que subiu mais e, com o financeiro da venda, compra outro ativo que, na sua visão, ainda tem um potencial de alta maior. Dessa forma, ele aproveita algumas distorções do mercado provocadas por movimentos especuladores. Esta arbitragem busca performace relativa entre os dois ativos.
Exemplo - A relação de VALE5 x VALE3 tem um histórico de manter spread médio — ou seja, uma variação média — de 5%. Só que, em um determinado período, é identificado pelo arbitrador que este médio está distorcido em torno de 10%. A partir daí, o arbitrador monta a seguinte estratégia: Compra a ação que menos se valorizou, e vende a que mais valorizou, buscando ganhar esta diferença. Isso porque ele acredita que o spread tende a voltar à sua normalidade.
Tipos de Long & Short
- Intersetorial – É uma operação mais arriscada, com uma estratégia que usa ações de diferentes setores. O risco é grande, porém, o ganho também pode ser grande. É necessário ter um grande conhecimento nos dois setores. Ex. PETR4 x VALE5
- Intrasetoriais - É uma operação que você compra e vende ativos do mesmo setor. Ex: ITUB4 x BBDC4
- ON vs PN – Se trata da operação em que, tanto a compra como a venda, é feita da mesma empresa. O risco é baixo, porém a remuneração também tende a ser baixa. É a mais comum das operações de Long & Short. Ex PETR3 x PETR4.
Lembrando que, para vender o papel nesta estratégia, é preciso efetuar o aluguel de ações da ponta vendida. O aluguel de ações é uma operação em que os investidores disponibilizam títulos para empréstimos e os interessados os tomam mediante aporte de garantia. Meu colega Fábio Franchini já falou sobre aluguel de ações neste outro post.
Existem algumas outras estratégias de arbitragem, para se aproveitar desse tipo de distorção. Abaixo algumas:
- Arbitragem Cambial – É a compra e venda de uma moeda em duas praças financeiras diferentes.
- Arbitragem à Vista contra à Prazo – É uma operação com o objetivo de ganhar na diferença do preço à vista para o à prazo.
- Arbitragem Bolsa a Bolsa – É a operação que consiste na compra e venda do mesmo ativo financeiro, só que em praças diferentes. Ex: Compra de PETR4 e Venda ADR de PETR4.
Estas são as principais estratégias para se aproveitar de distorções de mercado. O importante é você se adequar a uma operação com a qual você se identifique melhor, e que esteja dentro de seu perfil de investimento. Eu já achei a minha. Essa pode ser uma das formas que podem te ajudar a chegar a seu primeiro milhão.
O Aluguel de Ações ainda é uma modalidade de operação pouco conhecida pelos investidores. Ela tem duas contrapartes: quem possui o ativo e o oferta ao mercado (chamado de doador) e a pessoa que tem a demanda pelo ativo (chamada tomador). A ideia principal de um aluguel de ações é a mesma de um aluguel comum, seja de carro ou imóvel. Ou seja, quem possui, aluga mediante o pagamento de uma taxa pré-determinada em contrato. Quem necessita, procura a melhor oferta que atende a sua necessidade, mediante o depósito de uma margem de garantia na operação.
Na bolsa de valores, é possível alugar uma ação e rentabilizar seu patrimônio mesmo assim. O doador deve, antes de mais nada, firmar um contrato de autorização, para que a corretora possa ofertar seu ativo no Banco de Títulos (BTC). No contrato, são determinadas a quantidade ofertada, a modalidade do empréstimo e a taxa requerida. Essa taxa depende da oferta e demanda do ativo no BTC. Alguns ativos possuem taxas bem atrativas, como 0,10% a.a., enquanto outros com menor demanda podem chegar até 50% a.a.
O investidor que pretende doar, ou mesmo alugar suas ações, precisa saber dos tipos de contratos mais utilizados:
- O empréstimo mais conhecido e utilizado é o Reversível ao Tomador. Ele permite que o tomador encerre o contrato a qualquer momento, tendo de pagar somente a taxa de aluguel, proporcional ao tempo utilizado, e as taxas da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).
- Outra modalidade é a Reversível ao Doador, que tem características parecidas com a anterior. O doador também pode encerrar o contrato a qualquer momento e, nesse caso, o tomador tem 4 dias a contar da solicitação para devolver as ações. Ou seja, encerrar a posição vendida ou procurar um novo doador no mercado de títulos.
- Uma terceira possibilidade de empréstimo é aquele com Vencimento Fixo. Nele, o tomador e o doador permanecem com o contrato vigente durante o período pré-estabelecido, e deve-se pagar a taxa de aluguel do período e as taxas da CBLC definidas previamente.
Para o investidor que pretende ser tomador de alguma ação, é importante saber que é necessário o depósito da margem de garantia. A CBLC divulga uma tabela com intervalo de margem que é atualizada periodicamente. A margem necessária para um tomador será 100% do valor emprestado em ações, mais o percentual do intervalo de margem exigido pela CBLC. Dessa forma, o investidor doador tem a certeza de que suas ações emprestadas possuem um seguro de cobertura, caso haja algum imprevisto com o tomador.


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