Quando me pediram para contar minha história, pensei que não poderia deixar de lado o que me fez chegar até onde me encontro hoje, pessoal e profissionalmente. Por que contar apenas a vida corporativa de corretora/carreira/sucesso/dinheiro, se o que nos leva a isso são princípios e valores encontrados dentro de nossa família, de nossa escola, de nossos amigos?
Apesar de ser um fanático mooquense (morador do bairro da Moóca) e adorar a região mais tradicional de São Paulo, nasci em 1977 em um outro bairro, que fica no começo da Rodovia Anhanguera. Só fui me mudar para a Moóca com 2 anos de idade. Sou o filho mais velho de 3 irmãos, minha irmã é a do meio e meu irmão é o mais novo.
Meu pai, filho único de um português com uma descendente de portugueses, nasceu e morou toda sua infância na Moóca (ele sim é legítimo). Ficava sozinho a maior parte do dia. A vizinha de minha avó era quem cuidava dele, pois meus avós trabalhavam para compor a renda familiar. Meu avô morreu antes de meu pai completar seus 18 anos. A casa onde ele nasceu ainda existe, pertence à nossa família. Essa vizinha de minha avó, hoje com quase 90 anos, ainda me beija como se eu fosse um neto.
Dedicado e muito estudioso, meu pai era obstinado por melhorar de vida. Já devia saber que a dedicação aos livros seria talvez o único modo honesto de formar uma família e dar condições melhores para seus filhos. Quem sabe é por isso que a escrivaninha de mais de 40 anos, que ainda é usada em casa, não seja para ele apenas uma mesa pesada de madeira. Estudou em colégio técnico e fez engenharia na POLI, anos e anos foram debruçados sobre aquele móvel. Hoje continua trabalhando e dando aulas à noite, coisa que faz há mais de 30 anos.
Minha avó é neta de italianos. Minha mãe é filha de um argentino que, por sua vez, é filho de espanhóis. É daí que trago o sobrenome Gallego. Meu avô metalúrgico sustentava a todos com seu trabalho. Minha mãe fez magistério e trabalhava em um escritório, no centro de São Paulo, até se casar. Meus pais se conheceram na Moóca, namoraram e se casaram. Minha mãe cuidou dos filhos com a mesma dedicação com que meu pai se debruçou sobre os livros. Com 12 anos, fui morar na rua paralela à da minha avó paterna. Passei inúmeras férias saindo para empinar pipa e jogar bola às 10 da manhã, e voltava para casa ao escurecer. Isso quando dormia na casa de minha avó! Foram poucos os amigos da “rua” com quem eu perdi contato. Atualmente, ainda nos vemos quase que semanalmente.
Aqui começa minha história. Criado por uma mãe presente e um pai dedicado, que voltava para casa todos os dias depois das 23hs, aprendi a dar valor ao trabalho e percebi o quanto a educação é importante. Estudei em colégios do bairro. Fui um aluno um pouco acima da média nas notas, e bem acima da média nas amizades cultivadas. Tenho orgulho de dizer que meus maiores amigos são pessoas que conheço há mais de 20 anos. Na escolha da profissão a seguir, não conseguia pensar em outra coisa além de ser como meu pai. Seguir a mesma trilha e talvez chegar um pouco mais longe.
Jamais esquecerei o dezembro de 1994. Estudei todo o conteúdo do colegial em 30 dias, sozinho no quarto, por achar que não estava preparado para entrar na Escola Politécnica da USP (POLI). Foram 30 dias acordando às 8 e estudando de 12 a 14 horas por dia, até a segunda fase do vestibular. Passei! Com 17 anos, estava eu, Mauricio Gallego Augusto, em um mundo diferente de minha família, longe da Moóca e longe de meus amigos. Demorei para absorver essa nova rotina, mas me acostumei. Quando a carga horária começou a baixar no quarto ano da faculdade (quinto na POLI, pois me formei em 6 anos), quis me aventurar por outra área. Por causa de minha namorada, hoje minha esposa (com quem me relaciono há 12 anos), achava que a área de Direito era interessante. Estava pensando em prestar concurso público. Um ano depois, entrei como estagiário na Concórdia, corretora da Sadia. Não conseguia deixar de fazer algo que me agregasse conhecimento para ter tempo livre. Em determinado momento, estudava Engenharia e Direito, e fazia estágio de 30 a 40 horas semanais na corretora. Acordava às 6hs e me deitava depois da meia-noite.
Efetivado e formado, ainda fazia Direito à noite quando resolvi começar um mestrado em Finanças na USP. Tive que largar a faculdade de Direito no quarto ano. No mestrado, era o mais jovem dos 30 alunos da turma, e o nível do curso não foi nada básico! Consegui me desenvolver muito academicamente. Estabilizado na Concórdia e trabalhando há 6 anos, recebi uma proposta da Link Investimentos em 2005. A primeira que me fez balançar, depois de tanto tempo em um lugar só. Aceitei e comecei com a mesma sensação do meu primeiro dia de aula na POLI: ansioso pelo desafio.
Comecei na área de Research analisando empresas. Como tinha alguns clientes da Concórdia que gostariam de continuar comigo, comecei a atendê-los na Link. A partir daí, começou a surgir a área de clientes pessoa física da Link Investimentos, também chamada de área comercial. Éramos pouco mais de 10 pessoas no começo e, conforme os negócios foram crescendo, fomos contratando mais gente especializada. Hoje, depois de 5 anos, as áreas de Research, Varejo, Wealth Management e Backoffices englobam mais de 60 pessoas, quase o tamanho da empresa inteira em 2005.
Atualmente, não moro mais na Moóca (uma pena). Sou gerente da área de Varejo da Link Investimentos — que também engloba o home broker Link Trade — e também sou responsável por quase 30 pessoas dentro da corretora. Entendo que os valores que levamos para nosso dia-a-dia, seja para o trabalho ou para nossas relações pessoais, dependem muito dos valores agregados durante a vida. E dependem até da maneira que esses valores são passados entre gerações.
Tento não perder o que absorvi antes de me tornar um profissional. E busco colocar em prática o que aprendi sendo um profissional. Devemos ter em mente que as oportunidades sempre vão aparecer e, o que nos difere de ter ou não sucesso com elas, são a maneira com que nos preparamos.
Os principais assuntos discutidos no InvestCamp. Se você não compareceu ao evento, veja acima como foi. Se esteve presente, relembre alguns dos temas discutidos.
Estão neste vídeo alguns trechos de debates que ocorreram no dia 24 de Outubro de 2009, no espaço The Hub em São Paulo, conduzidos por Fernando Montanari, Gustavo Cerbasi e Rafael Cintra.
Christian Barbosa é autor de diversos livros na área de administração do tempo, como “A Tríade do Tempo”, “Estou em Reunião” e o novo “Mais Tempo, Mais Dinheiro”. Aproveitamos para entrevistá-lo durante o InvestCamp. Perguntamos de onde surgiu sua relação com a bolsa de valores e de que forma ele gerencia seus investimentos.



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