Muitos investidores já fizeram essa pergunta pelo menos uma vez. A melhor estratégia é sempre aquela que dá lucro? Ao meu ver esse pensamento está errado! A melhor estratégia é aquela que é seguida do começo ao fim. Pode lhe parecer estranha a minha resposta, mas no mercado de ações, a única certeza que temos é que ao iniciar uma operação nunca saberemos se esta resultará em lucro ou prejuízo. Por isso é importante ter sempre uma boa estratégia na manga e muita disciplina nos momentos difíceis para poder executá-la.
Análise técnica tem por objetivo rastrear tendências (alta ou baixa) e a partir de então, tentar “surfar” o maior tempo possível. Então como atuar nesse mercado com base na análise técnica e ainda sim sair vitorioso, uma vez que não temos a certeza do lucro na operação?
Para os investidores ansiosos, que visam o lucro rápido em operações curtas, é importante ter em mente a seguinte equação: lucros menores = prejuízos menores (e stops mais curtos).
Os investidores mais pacientes, que visam lucro tentando surfar o máximo a tendência, é importante ter em mente que lucros maiores = prejuízos maiores (e stops mais longos).
A mais dura e difícil missão é sempre a hora de encerrar uma operação com prejuízo. Muitos não aceitam perder, e um stop que era para ser curto acaba virando um stop mais longo. O stop mais longo acaba virando investimento de longo prazo, na esperança de que um dia a ação volte ao preço de entrada. Esse é o principal erro do investidor, na minha opinião. Com essa estratégia ele terá a seguinte equação para lucros menores com prejuízos maiores, ou lucros maiores com prejuízos muito maiores.
Ao longo de sucessivas operações no mercado de ações, a soma das operações com lucros e prejuízos têm que dar positivo. No caso citado acima, não precisamos ser nenhum especialista para notar que, por mais operações positivas que o investidor obtenha, os prejuízos auferidos vão acabar com boa parte do lucro. Ou ainda, as perdas podem reverter o resultado de lucro para prejuízo.
A conclusão que podemos tirar é que independente de operar no curto prazo ou no longo prazo, o investidor terá sucesso quando entender que a melhor estratégia é seguir a risca do inicio ao fim o que foi definido antes do início da operação. Curto prazo é curto prazo, e longo prazo é longo prazo, tanto na alegria quanto na tristeza.
Existem algumas características comuns entre os investidores, entre elas, a falta de educação.
Antes que eu seja encaminhado para o RH da empresa, gostaria de me explicar. Estou me referindo à educação financeira. E não é apenas ter um objetivo e um plano para alcançá-lo, mas talvez o mais importante, aprender como respeitá-lo ao longo do tempo.
A maior dificuldade dos investidores é respeitar as próprias ideias do plano previamente estipulado.
Não é à toa que hoje se investe em educação financeira, diferentemente do que se fazia no passado. Algumas instituições, como a Link Investimentos, fornecem palestras grátis com a intenção de transformar nossos investidores em ganhadores.
Um investidor “mal-educado” tem menos chances de continuar sendo um investidor ao longo dos anos. Após a crise que passamos no ano passado, ficou evidente a necessidade de estar preparado para o mercado, e seguir algumas pequenas regras estabelecidas quando os tempos eram de “vacas gordas”, como disse o Franchini.
Acredito que cada investidor tem seu limite e seu próprio modo de pensar. Para alguns, 10% de prejuízo não é nada. Já outros, ao perder no CDI por um único mês, já se sentem prejudicados.
Imagine quantas carteiras de ações de longo prazo foram montadas, aos 74.000 pontos, e stopadas 6 meses depois, aos 30.000? Por isso, é importante que cada um respeite seu modo de investir. E que não se deixe influenciar pela euforia ou pelo pânico.
No começo de janeiro, com ajuda do Yama (Sales de renda variável da Link Investimentos), escrevi o texto “feliz ano novo”. Em suma, o artigo recomendava fortemente a compra de ações em 2009. Para minha surpresa, em uma reunião de trabalho envolvendo alguns traders, em resposta ao texto publicado e em face à crise que nos assolava, fui recebido com um sonoro “feliz 2010, porque 2009 já era”! Quase fiquei deprimido com a saudação, nem tanto pelo ano ruim que ele imaginava que enfrentaríamos, mas mais pelo fato de encurtar o tempo para eu chegar aos 40 anos (e essa história de chegar já aos 40 sem nem mesmo um rojão ou brinde de champanhe me fez sentir não só velho, mas velhíssimo)!
Depressão à parte, logo entendi a situação. Este trader tinha no máximo 25 anos, e nunca tinha enfrentado nenhuma crise. Não entendia a dinâmica do mercado e muito menos entenderia a mensagem do meu texto. Certamente poderia me gabar de ser mais experiente e falar que era em cima dessa experiência que brotava meu feeling de que poderíamos ter um 2009 diferente do que muitos esperavam e que nem tudo estava perdido.
Há poucos dias encontrei esse mesmo amigo, novamente. Desta vez me recebeu com um “fala, véio!”, curto e atropelado, e logo seguiu com “Fred, você não acha que o mercado está muito esticado?” Respondi que era difícil saber, mas pensei comigo: “Fala, véio? Esse cara deve estar de gozação comigo”. Na volta para a Link Investimentos, já complexado, movi o retrovisor e mirei o entorno dos meus olhos. Haviam algumas rugas, mas nada que merecesse o título de “esticado”. Mais aliviado voltei a pensar no velho Ibovespa (criado em 1968), este sim mais velho que eu. Ele estaria esticado? Aqui vai meu raciocínio:
Em maio de 2008, o Ibovespa rompeu os 72.000 pontos, nossa taxa de juros estava por volta de 12% e o Brasil ocupava uma posição diferente de hoje no cenário mundial: era um dos últimos países do mundo civilizado a alcançar o investment grade. Com esse cenário, veio a crise que teve como estopim a quebra do Lehman Brothers. O mundo entrou em pânico, instituições vistas como seguras corriam risco de quebrar (algumas quebraram), a aversão ao risco explodiu, os ativos se desvalorizaram e ações se desvalorizaram ainda mais.
Uma ação coordenada dos bancos centrais mundiais foi feita e trataram de tirar o risco de quebra de algumas instituições importantes, mas a economia mundial ainda continuou patinando.
E o Brasil? A bolsa estaria “esticada”? Minha resposta é não! A bolsa não está esticada! Ela só está refletindo a nova posição do Brasil no cenário mundial (e lógico, refletindo alguma melhora, ou expectativa de melhora, na economia mundial).
Não quero entrar no mérito de falar se as empresas estão caras ou baratas e estou ciente de que existe a preocupação no mercado com relação a um possível otimismo exagerado sobre dados que saíram e que indicam um melhora nas perspectivas futuras do mercado mundial. Concordo com a cautela de muitos investidores com o Ibovespa nesses níveis atuais, mas minha discussão aqui é outra: “Brasil no mundo”.
Hoje o Brasil ocupa uma posição de destaque no mundo. Ao lado da China e da Índia foi um dos três países do mundo a não ter o seu sistema financeiro tão abalado pela crise. Seremos responsáveis para que o mundo consiga crescer a taxas positivas. Quanto a solvência, estamos com reservas acima de 200 bilhões de dólares e chegamos a ter o privilégio de entrar para a lista de países que podem emprestar dinheiro ao FMI. Somos credores! Nossa economia está sofrendo menos, pois conseguiu nesses últimos anos “fazer a lição de casa” e, hoje, temos um mercado consumidor interno muito mais evoluído. Continuamos vendendo produtos para China, país que como o Brasil, tem reagido bem à crise. Nossa governança corporativa e regulamentação no sistema financeiro são as melhores dos emergentes.
No cenário interno estamos com taxas de juros de 8,75% a.a. e projetamos taxas de juros estáveis até pelo menos meados do próximo ano. Os investidores brasileiros, viciados em altas taxas de juros, não conseguem sobreviver com meros 0,79% ao mês. Os fundos de previdência também terão que correr riscos para superar suas metas baseadas em índices de inflação mais 6% a.a.
O fluxo na compra continua e quando todos esperam em uma realização mais profunda, o Ibovespa reage. Investidores estrangeiros que foram os grandes vencedores na bolsa brasileira em 2003-2007 já perceberam o cenário positivo para o Brasil. Eles estão comprando Brasil, consistentemente.

Notem que em nenhum momento creditei a alta da bolsa à recuperação da economia mundial e sim a um reajuste do Brasil no cenário internacional (fluxo) e à melhora do mercado interno.
Com esse raciocínio só me resta concluir que, apesar da alta do Ibovespa de 52%, a bolsa brasileira pode ainda ser um bom investimento e que, assim que a economia mundial realmente começar a se recuperar, veremos o Ibovespa, em algum momento, ultrapassar os cabalísticos 72.000 pontos e rumo aos 100.000 pontos.



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